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quarta-feira, 1 de abril de 2009

É Tudo Verdade: alguns curtas + Coutinho

Alguns pitacos pessoais sobre alguns documentários do "É Tudo Verdade" (para ver os detalhes sobre os filmes, bem como onde e quando serão novamente exibidos, clique nos links).

SELEÇÃO DE CURTAS
CORAÇÃO NEGRO: Que porcaria. Chatíssimo. 23 minutos longuíssimos nos quais os personagens retratados contam um pouco de seus dramas pessoais para que se conclua que há coisas mais importantes na vida do que bens materiais. Intenção nobre, mas conduzida de forma muito boba. Filme para emocionar americanos e para alertá-los que o consumismo é ridículo. Óbvio até neste ponto.
BEM LONGE DE CASA: Ao contrário de "Coração Negro", este despretensioso curta atinge muito melhor seus objetivos. Em apenas um quarto de hora o documentário nos apresenta Oona, menina de 9 anos filha de pais separados, e nos faz acompanhá-la em uma viagem de trem até a cidade onde seu pai mora. O detalhe é que ela faz este percurso de 15 em 15 dias, sozinha. O divórcio sob o enfoque infantil. Bem montado, as animações inseridas entre as frases de Oona nos inserem em seu universo infantil.
CHIROLA: Boa surpresa. O drama de um ex-presidiário e a "prisão fora da prisão". Sem perspectivas de acolhimento na sociedade, redescobre um sentido para sua vida cuidando de cães que, segundo seu ponto de vista, o "domesticaram". Belas conclusões (e lamentos) da filosofia popular. A fotografia em P&B é boa. Nem o excesso de closes nos cães devorando seus ossos estraga a condução da narrativa.
ZIETEK: Retrato do artista que dá nome ao documentário, especializado em esculpir mulheres em tamanho natural. O diretor atinge o intento de mostrar a qualidade do trabalho de Zietek, mas a forma como monta o curta chega a ser ofensivo. Zietek é tratado como um velho tarado pelas suas mulheres de madeira e sua esposa como uma velhinha abobalhada e condolente com o marido. Mediano.
AREIAS VERMELHAS: Excelente. Filme sobre as touradas espanholas. Desde o início, nas corridas de Pamplona durante o festival de San Fermin, até o momento em que acompanha o balé do duelo "toureiro versus touro", o narrador mantém uma ambiguidade que dá um tom de imparcialidade ao documentário. Impossível não considerar uma crueldade idiota contra os animais, mas também inviável simplesmente condenar os praticantes. O próprio narrador nos transmite suas impressões: seus medos e sua excitação antes da fuga dos touros pelas ruas, sua inquietação diante da desgraça iminente convivendo simultaneamente com a paixão e a emoçao pelo "espetáculo" e, principalmente, sua vergonha e arrependimento pela crueldade idiota pela morte "não limpa" imposta ao animal sacrificado. Filme forte, belo e impressionante!
EDUARDO COUTINHO
MOSCOU: Espécie de continuação das experimentações iniciadas em "Jogo de Cena".
Aqui, Coutinho propõe ao Grupo Galpão, de Belo Horizonte, a montagem da peça "As Três Irmãs", de Anton Tchecov. O documentário foca na preparação para a montagem, na construção dos personagens e nos exercícios de imersão do grupo. Assim como em "Jogo de Cena", Coutinho mistura o que é real com a ficção. O que é ensaio para a montagem e o que é encenação para o filme de Coutinho? Nem sempre é possível identificar na tela os limites entre um e outro.
É também um filme sobre memória e sobre a confusão entre ilusão e realidade que se opera nela.
Insisto: é imperdível!

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Só" com João Miguel e "Moscou" de Coutinho





Acabei de ver no Metrópolis que João Miguel volta ao teatro na peça Só, no SESC Av. Paulista. Monólogo da autora italiana Letizia Russo. Parece ser bom. Só a presença dele no palco já é uma garantia.



Por falar em teatro, amanhã tem exibição no Cinesesc do novo filme de Eduardo Coutinho, "Moscou". Integrante da mostra de documentários "É tudo verdade", o novo longa de Coutinho é de certa forma uma continuidade na experimentação iniciada com "Jogo de Cena", desta vez filmando os ensaios do Grupo Galpão de teatro. Imperdível. Às 21h, gratuito.

quinta-feira, 26 de março de 2009

É TUDO VERDADE

Começou hoje o festival de documentários "É Tudo Verdade".
Ainda não tive tempo de fazer uma garimpagem minuciosa do que vai rolar.
Tampouco sei se eu mesmo terei tempo de ir. Mas posso adiantar alguns títulos que já estão em minha mira:
"Moscou", de Eduardo Coutinho;
"Garapa", de José Padilha;
o vencedor do Oscar deste ano, "O Equilibrista", de James Marsh;
e "Samba de Quadra", de Luiz Ferraz e Gustavo Mello.

"Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", de Claudio Manoer, Micael Langer e Calvito Leal, só estará na programação do braço carioca do evento, mas deve estrear em breve no circuito comercial.
Outro que só estará no Rio e sem previsão para o circuito comercial é o interessante "Só Dez Por Cento É Mentira", de Pedro Cezar. Já comentei sobre ele por ocasião da última Mostra de SP.