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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Boa intenção sob bombas


De fato, sob bombas, ruim mesmo este "Sob as Bombas", co-produção França/Líbano/Reino Unido/Bélgica.
O argumento é interessantíssimo: em parte documental, filmado logo após o ataque ao sul do Líbano em 2006, e ainda com seus moradores - que são "entrevistados" no filme - perdidos em meio aos escombros. O diretor Philippe Aractingi conta a história de Zeina, xiita que vive em Dubai, mas volta à pequena aldeia no sul do Líbano para resgatar seu filho. Só consegue entrar pela Turquia após o cessar-fogo e conhece Tony, único taxista que aceita conduzí-la até o vilarejo.
Boas intenções no filme, que tem argumento interessantíssimo mas muito, muito mal conduzido. Fraco mesmo. Se a história é comovente - vale lembrar que as imagens são reais -, a opção pelo "dramalhão" torna o filme óbvio. E se aproveita de um "drama fácil" - o da mãe que não tem notícias do filho após a eclosão de uma guerra.
Se um documentário já não teria um grande impacto por conta das constantes imagens do terror das guerras no Oriente Médio, as atuações ruins e a fraca direção disperdiçam a boa idéia de rodar uma ficção em meio ao caos real.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Deu certo?


Perguntaram-me outro dia se eu tinha visto e o que achei de "Se Nada Mais Der Certo", de José Eduardo Belmonte. Respondo por aqui, apesar de, a princípio, não ter me animado a escrever sobre o filme, que não me agradou muito não.
Visto na última Mostra Internacional de Cinema de SP no mesmo dia em que também vi o fraquíssimo "A Duquesa" e o maravilhoso "Aquele Querido Mês de Agosto", justamente entre um e outro, também o situo entre os dois outros em termos de "qualificações".
É um bom filme, com ótimas interpretações de Cauã Reymond e Jorge Miguel, de Luiza Mariani e da estreante em longas Caroline Abras. Seus personagens são levados à margem da sociedade, cada qual por um motivo diferente, e mantêm-se unidos por um laço afetivo. Há boas idéias no roteiro, excelentes intenções. Mas apesar de bem filmado, o filme escorrega em inúmeros clichês ao tratar das "misérias nacionais". Não me agradou o suficiente para que eu o recomendasse. Mas como felizmente eu não sou dono da verdade, há quem tenha gostado do filme, como Paulo Santos Lima, da exigente e competente Cinética e o jornalista Ricardo Calil, da Folha de São Paulo. Ambos enxergaram uma influência de Cassavetes nesse trabalho de Belmonte. O que vi, no entanto, com base em minha mais modesta formação cinéfila - Cassavetes, confesso, é um furo que ainda preciso tapar - foram certos momentos de Beto Brant, mas, vale frisar, com tantos clichês, que acabaram por não me agradar muito no fim das contas.
Um filme que para mim não deu muito certo, apesar dos prêmios que o longa levou no Festival do Rio do ano passado - melhor longa de ficção e de melhor atriz - e no Cine Ceará deste ano - melhor filme, roteiro e ator (Cauã Reymond).

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Agosto português!


Já demonstrei por aqui toda minha empolgação com "Aquele Querido Mês de Agosto", meu preferido na Mostra Internacional de São Paulo de 2008. O filme também ganhou o prêmio da crítica. Não à toa. O filme é uma delícia.
Se eu fosse distribuidor, teria comprado os direito já na época para lançá-lo somente agora neste mês, primeiro agosto após a exibição na Mostra. E foi justamente o que fizeram os distribuidores. Já na segunda semana de exibição em sampa, mas apenas em uma única sala do Reserva Cultural. Vale a pena conferir rápido, já que não é o tipo de filme que eu apostaria numa longa permanência em cartaz.

terça-feira, 31 de março de 2009

Outro indiano

Além do Jodhaa Akbar, comentado logo abaixo, outro filme indiano premiado na última mostra foi o documentário "Crianças da Pira". Prêmio oficial do júri de melhor documentário.

JODHAA AKBAR

Jodhaa Akbar. Isso sim é que é filme indiano!!!
Divertidíssimo, para dizer o mínimo. Justifica-se o prêmio de Melhor Filme no voto popular ganho na Mostra Internacional de São Paulo do ano passado.
Filme longo (três horas e meia, aproximadamente), mas tão leve e divertido que nem se sente.
Curioso notar o uso de todas as fórmulas que já deram certo em Holywood. Bollywood segue a mesma trilha, tentando se valer do cinema de gênero. Mas neste filme em especial poderia-se dizer cinema de gêneros, no plural mesmo. Todos os gêneros populares estão lá, para agradar ao máximo de indianos (e agora também não indianos) possíveis.
Uma verdadeira mega-produção (nesse sentido em nada devendo a Holywood) sobre o casamento do imperador muçulmano Jalaluddin Mohammad Akbar com a hindu Jodhaa, interpretada por Aishwarya Rai, uma das grandes estrelas atuais de Bollywood (é imensa a lista de vídeos com ela no youtube). O que era para ser apenas um casamento político com vistas a pacificar o conflito entre muçulmanos e hindus acaba por desencadear uma atração real entre os protagonistas.
Brega? Sim, e muito! Mas aí que está a graça!! Não é exagero quando digo que as três horas e meia passam voando. Até mesmo porque o roteiro todo é muito bem amarrado e interessante.
Há cenas de batalhas de prender a atenção, embora fique evidente que ainda estão aprendendo a arte: atores se jogam como se atingidos por balas de canhão que caem a metros deles, para ficarmos em apenas um exemplo. Chega a ser engraçado, como também é hilário o exagero dos closes nos personagens para captar suas emoções exageradas no decorrer do filme. Tudo com música, nem que sejam acordes isolados "a la suspense de Hitchcock".
Filme de guerra, de amor, musical (lógico), aventura. Há até cenas de lutas, com direito a slow motion. Um verdadeiro mosaico de gêneros.
E se falta técnica em muitos trechos, sobra capricho na produção em geral. As cenas musicadas são um capítulo a parte. Quando menos se espera, um número musical. Na cena musical mais "encaixada" de todas (quase sem contexto), quando um determinado povo oferece como presente de casamento ao imperador uma dança, a música é de A. R. Rahman, ganhador do Oscar 2009 de melhor canção e melhor trilha com "Quem quer ser um Milionário?".
Divertidíssimo! Não há definição melhor. Desde que, como já dito por aqui antes, visto com concessões.
Pena que dificilmente chegue ao mercado brasileiro.
Quem viu, viu!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Contratempo


Se você estiver em dúvida de que sessão pegar, e uma delas for o documentário "Contratempo", de Malu Mader e Mini Kerti, vá à outra.

Explico.

O documentário cobre as histórias pessoais de alguns dos alunos do projeto social Villa-Lobinhos, no Rio de Janeiro, cujo enfoque é ensinar música erudita a jovens de comunidades carentes e, com isso, tirá-los da rua e lhes dar um futuro melhor. A intenção, como se vê, é das melhores, e o Villa-Lobinhos merece toda a atenção e homenagens possíveis, pelo belo trabalho que exerce.

O problema está no documentário.

Não é de todo ruim, diga-se.

Com um tema perigoso (cair no óbvio é uma armadilha e tanto), as diretoras tentam fugir dos lugares-comuns, com algum êxito. Ganham em sinceridade em suas intenções. Mas no geral o filme acaba tendo um acabamento de "Filme institucional de ONG", com uma clara mensagem "do bem". Até nesse ponto, os personagens que "se dão mal" servem para confirmar a regra do "a música salva". Mais uma vez, obviedades na tela.

Documentário deve ser algo mais do que apenas ligar a câmera e não é isso o que se verifica por aqui. Mesmo quando acompanha por mais tempo alguns personagens específicos, mostrando a superação das dificuldades por intermédio da música.

Alguns retratados são de fato ótimos personagens e por si só já valem alguns créditos ao filme. A viagem de alguns integrantes à Nova Iorque e a descontração e deslumbramento deles é muito boa. Alguns trechos, portanto, muito bons no filme. Mas no geral, muita "encheção de linguiça", repetitivo mesmo em vários momentos.

Tema bom, mas não tão bem conduzido.

Filme para se ver quando exibido em algum canal institucional ou educativo, para se conhecer apenas superficialmente o trabalha do projeto social retratado.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A máfia como ela é

Demorar para inserir por aqui meus comentários tem grandes desvantagens. Duas semanas após a estréia de Gomorra nas salas paulistanas já não há quase nada a ser dito sobre esse excelente filme, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes (espécie de segundo lugar) e pré-concorrente italiano ao Oscar de filme estrangeiro, fortíssimo candidato a levar a estatueta (sério mesmo que o Brasil indicou o "Última Parada - 174" ?!?!?).

Muito já foi dito sobre o filme por profissionais mais que gabaritados e extremamente competentes. O que então um amador, que sequer no jornalismo cultural tem seu ganha pão, poderia comentar sobre o filme? Levando em consideração que a maioria de meus poucos mas fiéis leitores não acompanham os cadernos culturais da mídia impressa ou mesmo da net, acredito que algumas impressões pessoais possam despertar algum interesse.

Por outro lado, uma vantagem na tal "demora" em escrever. Quando vi o filme, na Mostra, fiquei maravilhado. Mas com o passar do tempo, e parece ser essa a tônica das grandes obras, o filme foi crescendo em minha predileção, a cada repassagem das cenas na memória, a cada nova leitura de críticas e resenhas. Se eu tivesse que refazer a lista de "Melhores da Mostra", com certeza ele subiria no ranking, provavelmente ocupando o 4º lugar (sem deméritos para os que baixassem de posição).

Pois bem. Vi algumas comparações da película com o "Cidade de Deus". Identidade apenas pontual, tangencial. Se tanto em um quanto outro a violência em um subúrbio é tema central, no filme italiano a discussão do problema vai muito mais longe.

Não há, como também já se disse por aí, romantização da violência.
A cena inicial do filme já escancara de pronto a intenção do filme. A máfia napolitana (Camorra) é retratada tal qual como ela é, sem romantização, sem glamour de outros filmes sobre mafiosos. Nos corretos dizeres de Sérgio Rizzo, da FSP, é a violência em estado bruto, retratando a atuação da máfia no sul da Itália de forma quase documental. Aliás, o filme tem como base o romance de não ficcção de mesmo nome, de Roberto Saviano, jurado de morte pelos mafiosos após suas pesquisas e incursões pelo submundo do crime organizado.

No filme há alguns núcleos, subcapítulos, com enfoques em personagens diversos. Há o cobrador e "pagador" da corporação, que nos leva para dentro das residências na periferia central da trama; há o jovem aspirante a mafioso; os rebeldes que sonham em derrubar a máfia, mas apenas para tomar o lugar dos chefões e serem eles próprios os principais bandidos do local (núcleo mais mais cômico, diga-se).

A principal problematização levantada pelo filme, porém, tem seu enfoque na globalização, que alcança até mesmo a indústria do crime. Aqui vê-se a máfia trabalhando para as grandes corporações industriais, fazendo o trabalho sujo, seja eliminando concorrentes do mundo da moda (imigrantes chineses), seja se encarregando de enterrar toneladas de lixo tóxico industrial.

O filme todo é de um "acabamento" ímpar. Trilha sonora (com muito pop-rock italiano contemporâneo), fotografia e montagens impecáveis, atuações excelentes. Repito: fortíssimo candidato ao Oscar. Dificilmente não ficará entre os 5 concorrentes finais.

Filme para ser visto mais de uma vez!

domingo, 30 de novembro de 2008

"A Duquesa"

Comentários bem atrasados, mas não é fácil manter regularidade quando escrever por aqui não é tarefa principal. Desde a Mostra eu gostaria de ter comentado sobre o filme "A Duquesa", que estreou semana passada.
Pois bem, me senti lesado quando assisti ao filme. Explicarei melhor.
A Mostra de Cinema tem recebido, cada vez mais, grupos e tribos distintos. Há o povo que chega à Mostra pra ver apenas a um determinado filme, os que acompanham os filmes com temática musical ou sobre o universo GLBT, por exemplo, e há, também, um grupo que eu chamo de "As viúvas de Mastroiani". Trata-se de algumas senhoras (e não são poucas) que acompanham a Mostra todo ano, mas que se prendem muito à temática dos filmes, de preferência com um fundo romântico, melodramático, ou algo do gênero. Os filmes com temáticas da chamada "Melhor idade" são sempre bem recebidos também. E o tema, para essas pessoas, basta para o filme ser considerado bom (em muitos casos concordo com elas, mas pra mim não basta apenas o assunto retratado).

Pois bem. Como todo ano busca-se muita informação nas filas, cada um trocando suas experiências sobre o que têm visto de pior e de melhor na Mostra, vez ou outra acaba-se dando ouvidos a certas pessoas que enfaticamente aconselham determinado filme.
Pois bem, fui ver "A Duquesa" por conta de uma dessas "viúvas de Mastroiani" (não achei apelido adequado aos homens do grupo, que existem em menor número; talvez "viúvos de Dietrich"?).
E me arrependi de ter dado atenção à Sra. que me recomendou (muito simpática por sinal, mas com gosto bem apegado aos tais 'temas').
Mas vamos ao filme.
Em minha modesta opinião, o filme é muito fraco. Fraquíssimo!
Trata-se de mais um filme de época (outro?!?!?!) estrelado pela bela Keira Knightley, dessa vez vivendo a história real da Duquesa de Devinshire, cujo parentesco com Lady Di foi muito explorado na divulgação do filme, inclusive por conta de um paralelismo entre as histórias (a tal "viúva de Mastroiani" que me "indicou" o filme adorou a "semelhança entre as histórias", além do figurino de época, "impecável"!).
A história não tem nada de muito novo, na verdade. Como não poderia deixar de ser, a protagonista tem seu casamento arranjado com o tal Duque de Devinshire, cuja única pretensão é ser pai de um herdeiro homem. A protagonista casa-se com o poder, mas não demora muito a se desiludir com tudo isso. Flerta então com o partido liberal, engajando-se em campanhas políticas das quais resulta um amante.
Ouvi algo a respeito da "força do filme", por ser baseado em uma história real. Balela. A tal história real chega sem força alguma à tela, e é extremamente superficial. Para um filme que pretende levar uma verdade histórica ao público, não há muitas informações. Aliás, bem previsível o roteiro e, por vezes, muito bobo!
Algum interesse talvez resida no papel do Duque, vivido por Ralph Fiennes. Muito bem no papel, mas o personagem em si não tem muita força (como tudo no filme). Keira está linda como sempre, mas bem inferior à sua intepretação em "Desejo e Reparação".
Enfim, filme bobinho, para quem quer apenas ver belos figurinos e as já manjadas histórias de amor impossíveis de serem vividas.
Meu conselho: não perca seu tempo. Se o intuito é ver filmes de época, há outros muito mais interessantes. Melhor ir à locadora, por exemplo, e pegar o excelente "Maria Antonieta", de Sofia Coppola. Além de belos figurinos (pra quem faz questão de vê-los), há "estofo" cinematográfico. Infinitamente melhor programa!

domingo, 16 de novembro de 2008

A ÁRDUA TAREFA DE LISTAR - PARTE III (OS MELHORES)

Enfim minha listagem dos melhores da Mostra deste ano. A idéia era selecionar no máximo 10, mas não consegui excluir o excedente (foram 65 filmes vistos, tarefa ingrata essa de selecionar!). Mais ou menos em ordem de preferência.

1) "Aquele Querido Mês de Agosto"
2) "Leonera"
3) "24 City"
4) "Loki - Arnaldo Baptista"
5) "Palavra Encantada"
6) "Three Monkeys"
7) "Gomorra"
8) "Moscou, Bélgica"
9) "O Estranho em Mim"
10) "A Floresta dos Lamentos"
11) "Caixa de Pandora""
12) "Che"
13) "Queime Depois de Ler"
14) "Absurdistan"

Também me agradaram muito:


1) "Palermo Shooting" - não é o melhor Win Wenders, mas ainda assim é bem acima da média
2) "Il Divo" - Grande filme, mas agrada mais a quem conhece a política italiana; muitas informações, roteiro difícil de ser acomapanhado
3) "A Erva do Rato" - ainda estou refletindo sobre o filme, e só aumentam as qualidades para mim. Grande filme, mas difícil.
4) "O'Horten" - belíssima surpresa norueguesa;
5) "Jodhaa Akbar" - Divertidíssimo!!!! muito agradável, mas tem que ser visto com concessões
6) "Duska" - não chega a ser um primor de filme, mas gostei muito. Belas metáforas envolvendo cinema.

Em breve, comentários individualizados (caso ainda não publicados).

sábado, 15 de novembro de 2008

SOB A MESMA LUA

Ainda sobre a Mostra (que será um assunto constante por aqui durante um bom tempo ainda), mas também sobre uma estréia deste fim de semana.
Há vários filmes excelentes que são exibidos na Mostra de São Paulo que, por não terem chance de êxito comercial, acabam não sendo comprados pelas distribuidoras para exibição no circuito.
E dentre tantas preciosidades, às vezes são os mais fraquinhos que acabam sendo comercializados. É o caso do mexicano "Sob a Mesma Lua", que estreou nesta sexta feira em sampa.
O filme é extremamente previsível, do começo ao fim (tanto que contarei o fim nesta postagem). Apesar de muito bem filmado, com alguns momentos até interessantes, no geral ele é óbvio e recheado de clichês. Não tenho nada contra clichês, se bem utilizados. Mas não é o caso de "Sob a Mesma Lua". Aqui o clichê é apenas uma fórmula para agradar à massa. Uma espécie de Daniel Filho, Xuxa ou Renato Aragão mexicano. "Filme da família mexicana", no pior sentido em que o termo possa ser utilizado.
Apenas os protagonistas, vividos pela guapissima Kate del Castillo e o carismático garoto Adrian Alonso, e o tema um tanto espinhoso, especialmente para mexicanos e americanos, talvez valham a entrada.
Pois bem. A trama diz respeito à imigração de mexicanos, que entram clandestinamente nos EUA, especialmente na Califórnia. Como disse, um tema espinhoso que, por si só, até dá um certo crédito à diretora (Patricia Riggen). Mas as escolhas para retratar a situação soam como mais um filme melodramático mexicano, ainda que tratado com leveza (mais uma vez, para tornar palatável à "família").
Acompanhamos as "aventuras" dos protagonistas, mãe e filho de 9 anos, separados há 4 anos. Ela imigrante ilegal, ele ainda no México. Com a morte da avó, o menino (muito esperto) resolve entrar sozinho nos EUA atrás de sua mãe. Há alguns momentos interessantes na trama, de tensão e reviravolta. Mas, no geral, é óbvio: não precisa ser muito inteligente para perceber que o filme terá um final feliz. A cena final é de extremo mal gosto. Musiquinha "comovente" tocando no encontro de mãe e filho, a câmera se revezando entre um e outro, com cada vez mais close para que não reste dúvida de quanto estão emocionados com o reencontro. Péssimo. Mas pelo menos aqui fugiu do clichezaço da corrida com abraço!
O filme não é de todo ruim, principalmente para quem não for tão crítico. Mas tendo outro para assistir, vá ao outro!!
PS: um momento que gostei. Há uma cena em que a música de fundo se chama "Superman es ilegal". Sensacional! Sim, Clark Kent não tinha visto e ainda assim é o maior herói dos EUA!!!! Sem visto, como conseguiu trabalho? Grande sacada.
Não encontrei a gravação da versão do filme. A música foi gravada originalmente por um grupo chamado "Los Hermanos Ortiz", na década de 70. A do filme, porém, é mais rápida e mais animada. Eis a gravação original:

sábado, 8 de novembro de 2008

A ÁRDUA TAREFA DE LISTAR - PARTE II (Apresentações especiais)

Já me referi anteriormente aos programas especiais organizados pela Mostra todo ano, como as retrospectivas de certos diretores e a Carta Branca dada a figurões do cinema para que montem sua programação especial. Há também exibição de clássicos restaurados e de filmes mudos com música executada ao vivo. Excelentes programas proporcionados em cada edição da Mostra. Listo aqui os que vi até mesmo para excluí-los da lista dos melhores (adotei como critério apenas os filmes novos).

Se por um lado não pude ver "O Poderoso Chefão" na tela grande em versão restaurada, nem a retrospectiva de Hugh Hudson ou a série "Berlin Alexanderplatz", de Fassbinder, pude conferir outras preciosidades.

Da série "Carta Branca a Win Wenders", vi "O Garoto Selvagem" e "A Sereia do Mississipi", ambos de Truffaut;
Da retrospectiva completa de Trapero, conferi "Do outro lado da Lei" e "Mundo Grua", além do novo "Leonera";
Da retrospectiva de Kihachi Okamoto, ídolo e influência de Quentin Tarantino, consegui ir apenas à sessão de "Os Sete Rebeldes" (com direito a ganhar diretamente das mãos da viúva do diretor um origami);
Com a Octuor de France executando a trilha sonora ao vivo, os silenciosos "O Homem que ri" e "Poil de Carote";
E, enfim, André Abujamra também deu o ar de sua graça nessa edição, com o filme-show "Retransformafrikando", com banda ao vivo executando a trilha da vinheta (que é de sua autoria) e de seu filme.

A ÁRDUA TAREFA DE LISTAR - PARTE I (OS PIORES)

Terminada a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é hora de fazer balanços.
Vários blogueiros e alguns meios de comunicação impressa ou da internet já listaram seus melhores e piores. Eu particularmente nunca me vi fazendo listas similares, mas alguns amigos já vieram me perguntar o que eu já tinha visto de bom, ou de ruim. Levando em conta isso e também a grande quantidade de filmes que consegui ver esse ano (65, se contarmos também com o filme-show de André Abujamra, o "Retransformafrikando"), resolvi entrar na brincadeira e listar meus melhores e piores.

Tarefa dificílima. Alguns títulos saltam automaticamente à mente, seja por serem excelentes, seja por serem péssimos. Mas fazer uma lista é outra história.

Resolvi começar pelos piores (por achar mais fácil; vou ficar devendo pra logo mais os melhores). Elegi apenas 7. Há outros que mereceram uma reflexão maior antes de mandá-los diretamente para o limbo. Escapam por pouco da lista! Mas os sete eleitos, esses não têm chance: achei uma porcaria só!

Oportunamente publico meus motivos, se já não publicados.

Eis os piores em meu conceito:

1) FORMIDÁVEL (Bélgica), de Dominique Standaert
2) MAIS SAPATOS (Estados Unidos), de Lee Kazimir
3) EL GRECO (Grécia/Espanha/Hungria), de Iannis Smaragdis
4) SOB A MESMA LUA (México/EUA), de Patricia Riggen
5) ENCARNACIÓN (Argentina), de Anahí Berneri
6) ICE (Japão), de Makoto Kobayashi
7) A DUQUESA (Dinamarca, EUA, Reino Unido, Itália, França), de Saul Dibb

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Acabou-se!

Encerrou-se a 32ª Mostra. Agora, só ano que vem!
E nem deu tempo (foram tantos os filmes vistos por este blogueiro - 66!) de comentar todos os filmes vistos.
Aos poucos vou registrando minhas opiniões pessoais (para caso algum estréie eventualmente, já deixo registrado).
Agora é entrar no esquema do circuito de novo.
A gente se esbarra em alguma sala da cidade!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O melhor Trapero e sua leoa

Com estréia prevista no circuito comercial para o próximo dia 07/11, o novo longa de Pablo Trapero, "Leonera", é o seu melhor até agora.

Já na arrepiante abertura, ainda nos letreiros, o filme deixa claro do que se trata: tendo como trilha a versão em espanhol para a música infantil "Ora, bolas", de Paulo Tatit, o filme abre com imagens da prisão para onde, logo mais, a protagonista será mandada grávida.
A idéia presente no contraste "universo infantil X presídio" já tem em si um forte impacto, mas o filme não se limita a apenas isso.
Martina Gusman, esposa de Trapero, interpreta uma mulher que mata seu namorado ao flagrá-lo com outro homem, vivido por Rodrigo Santoro. Enviada ao presídio ainda grávida, dará à luz e permanecerá com seu filho até que este complete 4 anos, de acordo com a legislação argentina. É traída também por sua mãe, que tenta se apossar do neto sem o consentimento da filha.
É basicamente um filme sobre instinto materno e sobre o amadurecimento vivido pela protagonista durante o cárcere.
Martina Gusmán está excepcional no papel principal e era apontada como favorita ao Cannes deste ano (quem acabou levando o prêmio foi a brasileira Sandra Corveloni, de "Linha de Passe"). Esposa de Trapero, até então havia se destacado apenas como produtora de vários filmes, tendo estreado como atriz em "Nascido e Criado" (2007), também de Trapero.
Rodrigo Santoro tem um papel pequeno mas importante para a trama. No papel de amante do marido da protagonista, passa a visitá-la na prisão. Ao que tudo indica a relação dos três era bem mais complicada do que inicialmente alegado pela defesa da assassina.
A mãe de Martina é representada por Elli Medeiros, atriz e cantora uruguaia mas radicada na França desde os 14 anos de idade. Também um pequeno mas importante papel.
Uma curiosidade: Elli surgiu como cantora na França no fim dos anos 70 à frente de uma banda punk, os Stinky Toys. Já em carreira solo, estourou os hits "Toi mon Toit" e "A bailar Calipso", em 1986 e 1987 (uma espécie de Gretchen um pouco menos vulgar e bem mais bonita). No clipe de "Soulève Moi" (mais recente) está irreconhecível, não lembrando em nada sua personagem em "Leonera".
O filme é co-produzido por Walter Salles.

Outros Traperos

Uma boa oportunidade que a MOstra vem proporcionando ano após ano em é a possibilidade de ver (ou rever) a cinematografia completa de um ou outro diretor.


Eu já havia visto "Família Rodante" e "Nascido e Criado" (este último na 31ª Mostra, ano passado). Com "Mundo Grua" (1999) e "Do outro lado da lei" (2002) completei a cinegrafia de Pablo Trapero antes de embarcar em seu útlimo longa, "Leonera".


No primeiro, apesar dos altos e baixos do filme, Trapero já mostrava seu potencial logo em seu longa de estréia. Excelente fotografia em preto e branco e alguns diálogos memoráveis dão o tom para o filme que acompanha a vida de um operário, operador de grandes máquinas (gruas).


"Do outro lado da lei" é formidável. Excelente construção de personagens, roteiro muito bem delineado, tensão na medida certa. O filme acompanha um interiorano que, após envolvido em um pequeno roubo, parte para Buenos Aires para "mudar de lado", ingressando na força policial ("bonaerense", como no título original).


Se encontrar na locadora (principalmente o segundo), não deixe de ver. Se possível, antes de ir ver "Leonera" no cinema.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ainda sobre "Aquele querido mês de agosto". Epá!

Roger Tahira, amigo que me acompanhou em alguns filmes desta mostra, escreveu muito bem sobre esse que é meu filme preferido dessa mostra, citando trechos memoráveis.

Para não repetí-lo, eis o link.

Meu texto anterior: aqui.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Blow up + O Sétimo Selo

Desde que estreou mundialmente no Festival de Cannes deste ano, o novo longa de Win Wenders, "Palermo Shooting", tem dividido público e mais desagradado do que satisfeito os críticos. Talvez até mesmo pela pretensão em fazer um filme em homenagem aos mestres Michelângelo Antonioni e Ingmar Bergman.

Embora não seja o melhor Win Wenders, o filme é bastante interessante. Narra a crise pessoal de um fotógrafo famoso mundialmente (qualquer semelhança com "Blow Up", de Antonioni, não é mera coincidência) interpretado por Campino, vocalista da banda de punk-rock alemã "Die Toten Hosen", em excelente atuação (excelente direção de atores, como de costume em se tratando de WW). Excelentes diálogos, mas um tanto herméticos por conta dos temas filosóficos tratados no filme: morte, passagem do tempo, amor, solidão.

Em uma das passagens, a exemplo de "O Sétimo Selo" de Bergman, o protagonista trava um diálogo com a morte (interpretada por Dennis Hooper).

Outras curiosidades do filme: a cidade de São Paulo é destaque logo no começo da história, com seus outdoors desativados servindo de estrutura para a exposição do fotógrafo. O MASP também é citado, com direito a uma maquete.

A trilha sonora também é um capítulo a parte: Nick Cave, Lou Reed (que faz uma ponta no filme), Fabrizio de Andre, entre outros. Bem inserida na história, a música é um contraponto aos acontecimentos. O que se ouve é a música ouvida pelo personagem, cessando a trilha quando o fone de ouvido é retirado. Recurso interessante, fugindo da usual trilha "pano de fundo".

No próximo dia 04/11 será exibido o "making off" do filme, além de comerciais raros dirigidos por Bergman (excelentes, diga-se!!!) e o belo curta-metragem "Cry me a river" (na foto), de Jia Zhang-Ke. No Cinesesc, às 17:40.

NADA FORMIDÁVEL



Aparentemente incluído de última hora na Mostra (não consta do catálogo e estreou no último dia do festival), o filme "FORMIDÁVEL" (FORMIDABLE), de Dominique Standaert, não faz jus ao nome.

Uma porcaria!

Fraquíssimo, o filme tenta se sustentar com base em piadas extremamente ingênuas e sem graça (uma ou outra até se salva), apelando também para um carisma que seus personagens até parecem se esforçar para conseguir, mas sem resultado. Uma sucessão de besteiras do começo ao fim. Da dupla de atores principais, um é totalmente sem expressão. O filme até que é bem filmado, mas o roteiro é muito fraco.

Fuja da sessão extra prevista para o dia 5/11!

domingo, 2 de novembro de 2008

Restante da programação - última semana

Segunda-feira (3)
CINE BOMBRIL 1
14h – “Set”, de Adriana Camacho (México)
15h30 – “Moscou, Bélgica”, de Christophe van Rompaey (Bélgica)
17h30 – “Mataram a irmã Dorothy”, de Daniel Junge (Brasil/EUA)
19h20 – “O estranho em mim”, de Emily Atef (Alemanha)
21h20 – “I bring what I love”, de Elizabeth Chai Vasarhelyi (EUA)

CINESESC
14h – “A rainha Célia”, de Joe Cardona e Mario de Varona (EUA/Japão)
15h50 – “Manda o diabo para o inferno”, de Gini Reticker (EUA)
17h20 – “Contratempo”, de Malu Mader e Mini Kerti (Brasil)
19h20 – “Zebra crossing”, de Sam Holland (Reino Unido)
22h – “Vá em paz, Jamil”, de Omar Shargawi (Dinamarca)

Terça-feira (4)
CINE BOMBRIL 1
14h – “3 estações”, de Jim Donovan (Canadá)
16h – “45 RPM”, de David Schultz (Canadá)
17h50 – “A rota do guerreiro”, de Andreas Pichler (Alemanha/Suíça/Itália)
19h40 – “24 City”, de Jia Zhang-ke (China)
21h50 – “Cavalo de duas patas”, de Samira Makmalbaf (Irã)

CINESESC
14h – “Peace mission”, de Dorothee Wenner (Alemanha)
15h40 – “Amor resgatado”, de Lu Fengcai (China)
17h40 – Programa surpresa – “Cry me a river”, comerciais de Bergman e makig of de “Palermo shooting”
19h10 – “Vá em paz, Jamil”, de Omar Shargawi (Dinamarca)
21h – “Deixa ela entrar”, de Tomas Alfredson (Suécia) + “Monkey joy”, de Amir Admoni (Brasil/Holanda)

Quarta-feira (5)
CINE BOMBRIL 1
14h – “El bosque”, de Pablo Siciliano e Eugenio Lasserre (Argentina/México)
16h – “Escrito”, de Kim ByungWoo (Coréia do Sul)
17h50 – “Formidável”, de Dominique Standaert (Bélgica)
19h40 – “Vá em paz, Jamil”, de Omar Shargawi (Dinamarca)
21:30 – “Um homem bom”, Vicente Amorim (Reino Unido/Alemanha)

CINESESC
14h – “Dr. Alemán”, de Tom Schreiber (Alemanha)
16h10 – “Deus homem cachorro”, de Singing Chen (Taiwan)
18h30 – “Cavalo de duas patas”, de Samira Makmalbaf (Irã)
20h30 – “Horas de verão”, de Olivier Assayas (França)
22h30 – “Os primeiros anos de Wim Wenders”, de Marcel Wehn (Alemanha)

Quinta-feira (6)
CINE BOMBRIL 1
14h – “Oso blanco”, de Christian Suau e Ramiro Millan (EUA)
15h40 – “Ice”, de Makoto Kobayashi (Japão)
17h40 – “Of all the things”, de Jody Lambert (EUA)
19h20 – “Hanami – Cerejeiras em flor”, de Doris Dörrie (Alemanha)
21h50 – “Cavalo de duas patas”, de Samira Makmalbaf (Irã)
* Programação sujeita a alterações.

JIA ZHANG-KE

Mais um belíssimo trabalho do jovem cineasta chinês Jia Zhang-Ke. "24 City", seu novo documentário (na verdade um mix de documentário com encenação!), é também o nome de um condonímio de alto padrão em construção onde antes funcionava uma fábrica aeronáutica estatal (fábrica 420), em Chengdu.


Mais uma vez, o chinês (de fato grande Artista, na melhor concepção!) dá grande importância aos cenários e às locações para retratar uma China que se moderniza mas que, na essência, não muda para seus habitantes. O dia-a-dia dos habitantes é o foco: velhos operários da antiga fábrica, moradores de Chengdu, antes e depois do fechamento da fábrica.





Cinema de notável realismo, com uma beleza plástica impressionante. Os depoimentos são excelentes e muito emocionantes. Em meu conceito, é o melhor filme de Jia Zhang-Ke que, com suas filmagens, imprime beleza e cor até ao cinza da paisagem urbana deteriorada de Chengdu.






Vale muito a pena conferir! Na repescagem no dia 04/11, no CineBombril, às 19:40!
Neste domingo, 2/11, o Cinesesc exibirá outra bela obra de Jia, "Cry me a river", curta metragem. Também serão exibidos comerciais raros dirigidos por Ingmar Bergman e o Making off de "Palermo Shooting", de Win Wenders. No Cinesesc, às 20:00.