sábado, 30 de janeiro de 2010
KOLOMBOLO DIÁ PIRATININGA
domingo, 24 de janeiro de 2010
SHOWS de 2009
Vários dignos de nota. Fico aqui com 5:
1) LANÇAMENTO DO CD "PRATA DA CASA - 10 ANOS", com participações de Fabiana Cozza, Quinteto em Branco e Preto, Cérebro Eletrônico, Mariana Aydar, B Negão... Choperia do Sesc Pompeia, dia 18.12.2009
2) ATAULFO 100 ANOS - Da série de shows que comemorou o centenário de nascimento do mais elegante sambista brasileiro, vi a dobradinha Anelis Assumpção e Ataulfo Alves Jr. Ele, evidentemente, filho do homem. Ela, filha de Itamar, que também dedicou um disco inteiro a Ataulfo. Belo show. O repertório, por si só, já valeria, mas as atuações contribuíram muito. Dia 19.09.2009 no Centro Cultural São Paulo.
3) CRUEL - Homenagem a Sérgio Sampaio. Outro show que só pelo setlist já valeria o ingresso. Participação de Luiz Melodia, que parece estar em todos os shows especiais e homenagens. É só chamar que o cara vem! Mas o sujeito canta muito e tem um carisma ímpar! Participações ainda de Zeca Baleiro e do ótimo Jards Macalé. E valeu também pra conhecer Márcia Castro. Show pra sair querendo botar o bloco na rua!!! Dia 05.07.2009, no Sesc Pinheiros.
4) GAINSBOURG IMPERIAL - Mesmo com os defeitos técnicos durante a apresentação e com a Orquestra Imperial não tão a vontade com o repertório, foi um show histórico. Dia 04.09.2009, no Sesc Pinheiros.
5) ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES DO VILLAGIO CAFÉ - Não se tratou propriamente de um show. Amigos da casa subiram ao palco para homenagear o bar, que fez história nos últimos 18 anos em Sampa. O fechamento, obviamente, tinha sua carga de tristeza, mas o clima geral era de casa de amigos, cordial e feliz. Se é de se lamentar, também é de se buscar novos endereços para a boa música. Não tarda a acontecer. Dia 29.08.2009, no extinto Villagio Café.
KARNAK
Karnak é uma categoria a parte! Sempre bom ver a trupe, mesmo quando não ensaiam! E os projetos especiais envolvendo a banda são sempre no mínimo curiosos, como o "Sotaques Paulistas", em homenagem ao aniversário da cidade no começo do ano passado, com participações de Fortuna, Zeca Baleiro, um grupo de tambores japoneses, etc... E como todo fim de ano, show de aniversário da banda. Emociona mesmo com o velho e bom repertório "batido". Ambos os shows no teatro do Sesc Pompeia, dias 24.01 e 13.12.2009.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Clipes do Balaio # 26 - 1/2 Dúzia de 3 ou 4 e sua Geyse
PS: tem show do "1/2 Dúzia de 3 ou 4" na Praça Roosevelt, no próximo sábado, dia 19!
sábado, 5 de setembro de 2009
Na cadência bonita do samba
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Agradecimentos

Um Anormal
sábado, 29 de agosto de 2009
Fim de uma história musical

quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Gainsbourg Imperial!!!!
ANO DA FRANÇA NO BRASIL
GAINSBOURG IMPERIAL
Dia(s) 03/09, 04/09 Quinta e sexta, às 21h.
A Orquestra Imperial apresenta show dedicado à obra de Serge Gainsbourg, um dos maiores cantores e compositores franceses do século XX. O show conta com o encontro inédito nos palcos de Jane Birkin, grande musa e esposa do artista francês e Caetano Veloso, além da participação de compositor e arranjador Jean-Claude Vannier, parceiro histórico de Gainsbourg. O show integra a programação oficial do Ano da França no Brasil. Parceria: Consulado Geral da França, Cultures France e Alliance Française. Duração: 1h40. Teatro Paulo Autran. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC, a partir de 26/08, às 14h.
Não recomendado para menores de 10 anos
R$ 40,00
[inteira]
R$ 20,00
[usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 10,00
[trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Para hoje
Às 20hs, no MIS, "Panorama Paulista 02", dentro do Festival de Curtas. Entre os curtas deste panorama, "Samba de Quadra", sobre o último grupo de samba caipira existente, no pequeno Município de Quadra, interior de Sao Paulo. Bom programa gratuito.
Também de graça, dentro do projeto "Cedo & Sentado" do Studio SP, Iara Rennó e seu show-ópera baseado em "Macunaíma" . Pelo pouco que vi na Virada Cultural, muitíssimo interessante. 21h.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Clipes do Balaio # 22 - Toca Raul!!!
Há exatos 20 anos morria Raulzito, no apartamento 1003 do Edifício Aliança Flat, na Rua Frei Caneca 1.100, em São Paulo."TOCA RAUL" NA VIRADA CULTURAL
Na Virada Cultural deste ano, dias 2 e 3 de maio, um dos palcos foi dedicado inteiramente à discografia de Raul Seixas. Vários artistas, de companheiros antigos a fãs influenciados pelo primeiro roqueiro brazuca, revezram-se no palco "Toca Raul" apresentando a discografia completa de Raulzito, na ordem cronológica. O ordem das faixas também era para, a pincípio, ser respeitada pelos intérpretes. Não foi, ao menos no pouco que pude acompanhar.
Belo cenário para a homenagem: ao fundo do palco, a torre da Estação da Luz, em estilo inglês inconfundível, marca a hora certa. Os shows é que não obedeceram muito a pontualidade britânica.
23h. No palco, Edy Star apresenta as canções da "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10" (1971), clássico LP coletivo que contava ainda com Sérgio Sampaio e Miriam Batucada, além de Raul Seixas. Entre o público, uma energia muito boa presente em pouquíssimos palcos desta Virada, que somente fez lamentar pelas edições passadas. Mas não nesse palco. Aqui, puxados por Edy Star, todos repetiam "Todo Mundo Está Feliz" [aqui na Terra], uma das faixas do lendário disco. E estavam mesmo. E ignoravam o atraso dos shows seguintes, até mesmo porque para aquele público não faria diferença alguma, já que à exceção de poucos (eu, por exemplo), não cogitavam acompanhar a programação dos outros palcos.
Somente às 23h45, com 50 minutos de atraso, é que um boneco de Raul Seixas é manipulado no palco anunciando a entrada de Nasi, interpretando "Krig-ha-bandolo" (1973), primeiro disco solo de Raulzito, após uma uma breve mas bem sucedida carreira de produtor musical (produziu, entre outros, Sérgio Sampaio e Diana).
Apresentação curta (menos de uma hora de duração) mas o suficiente para empolgar toda a "tribo" presente. Nasi não respeitou a ordem das faixas e precisou tocar outras que não pertenciam ao célebre disco para fazer "volume". O álbum, um de meus prediletos da discografia de Raulzito, ao lado de "Novo Aeon", traz alguns dos maiores sucessos do Maluco Beleza: "Mosca na Sopa" (a primeira que conheci, como já dito), "Metamorfose Ambulante", "Dentadura Postiça", "As Minas do Rei Salomão", "Al Capone", "Rockixe" e "Ouro de Tolo", primeiro grande sucesso da carreira interrompida em 1989.
Fim da apresentação. Quase uma hora da manhã. Fácil perceber a "leveza" no sorriso dos transeuntes após o show, em plena região da Cracolândia. Satisfeito com o que ouvi, brindei a Raulzito e pude ir embora pra outras bandas.
PS: Lamentável a ausência de homenagens ao cantor em São Paulo neste fim de semana. Não há um único palco montado para a data, uma única homenagem sequer.
Raulzito no cinema!
Um documentário sobre Raulzito, dirigido pelo especialista em documentários Evaldo Mocarzel e pelo talentoso fotógrafo-diretor Walter Carvalho!
"O início, o fim e o meio" foi prometido ainda para esse ano.
É esperar pra conferir!
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Paraty, música, pinga

Palco:
18h - Desfile Temático
Palco:
Coreto:
Palco Principal:
Coreto:
Palco:
terça-feira, 14 de julho de 2009
ENGARRAFAVA BRUMAS E COLECIONAVA ARCO-ÍRIS
Lírico. E o lirismo vai muito além do título em "O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS", novo documentário de Lírio Ferreira, sobre HUMBERTO TEIXEIRA, o "Doutor do Baião". Sinestesia completa, seja na música que invade a tela de colorido vivíssimo, seja na poesia construída com edição e montagem perfeitas. A fotografia, por sinal, é um desbunde, obra do cracaço Walter Carvalho.Após a bela abertura em "cordel", já dando o mote nordestino, o filme parte de alguns "pontos centrais" para nos contar um pouco mais sobre quem foi o "Doutor do Baião". Apresenta-nos o sertão cearense, a cidade de Iguatu, local de origem de Humberto Teixeira. Os costumes locais, sua gente, os personagens típicos da região. O vaqueiro da caatinga e sua veste de couro. A sanfona. O "consertador" de sanfona. O Cordel. A poesia. A música. O baião, que Humberto Teixeira levou para o Rio de Janeiro, urbanizou e, em parceria com Luiz Gonzaga, tornou popular no Brasil todo, conhecido e cultuado no exterior.

Sua filha, a atriz Denise Dumont, é importante figura condutora do documentário, do qual é também produtora. Logo no início, declarando não conhecer com exatidão a devida importância da obra de seu pai e com o objetivo de desvendar para si mesma quem foi o homem público Humberto Teixeira, é ela quem nos guia nessa jornada de descoberta. É ela, aliás, quem entrevista grande parte das personalidades – e são muitas – que desfilam pela tela.
Entre tantos nomes, ora a ilustrar a cultura nordestina, ora a falar diretamente de Teixeira, os saudosos Patativa do Assaré e Sivuca, o maestro Wagner Tiso, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Lenine, Otto, Gal, Lirinha e seu Cordel do Fogo Encantado, os cearenses Fagner e Belchior, os roqueiros influenciados pelo baião Raul Seixas e Os Mutantes, os internacionais Bebel Gilberto, Forró in the Dark – grupo que toca baião com sucesso em Nova Iorque – e David Byrne, são alguns dos nomes que se revezam na tela, entre uma música e outra, entre uma passagem e outra da vida do doutor pioneiro, como deputado federal e como intelectual, pela defesa dos direitos autorais no Brasil. David Byrne, responsável inclusive pela redescoberta de Tom Zé na década de 90, revela-se grande apaixonado pela música brasileira. É dele a interpretação de uma arrepiante versão em inglês para "Asa Branca"
Vale destacar que Denise não isenta o pai de críticas, o que fica evidente quando toma o forte depoimento de sua mãe, Margarida Dumont, ex-esposa de Teixeira. Pai machista, preconceituoso, que não aceitava a filha como atriz, profissão não condizente com a figura de "moça de família". Marido que interrompe a carreira da própria esposa, também atriz.
São muitas as informações, em parte narradas pela voz do próprio Humberto Teixeira. Tem-se a impressão, em alguns pontos, de se perder o "fio da meada". As peças soltas, porém, vão se encaixando, se assentando no decorrer da narrativa.
A frieza de um comentário escrito como o que se pretende aqui com certeza não traduz a imensa beleza do filme. Como na letra de um baião, a história de Humberto Teixeira é contada com alegria, apesar da tristeza inerente. Lírico. Lirismo que, nesse caso, vem também de Lírio Ferreira. Se o trabalho anterior do diretor – "Cartola" – era "música para os olhos", "O Homem que Engarrafava Nuvens" é poesia para a alma e para o cantinho do cérebro que hospeda a emoção.PS: tenho dúvidas da imparcialidade desses comentários. Difícil conter um certo exagero. O filme casa de forma bastante coesa grandes paixões minhas: a música (em especial a popular), fotografia (como já dito, do mestre Walter Carvalho), o povo e seus costumes e, evidentemente, o cinema-arte. É ver pra crer!
terça-feira, 7 de julho de 2009
O INVERNO E SEUS FESTIVAIS
O mais lembrado é o quarentão Festival de Inverno de Campos do Jordão, que começou fim de semana passado e se estenderá até o dia 26/07. Mas há anos que não piso naquele lugar que, em julho, vira um verdadeiro inferno “a la Amauri Jr”. Arrisco dizer que, excluindo-se os próprios músicos e bolsistas, poucos são os que frequentam o Festival propriamente dito. Lugar para “ver e ser visto”, como classificaria uma “Caras” qualquer. Recordo-me de ter ido, no já distante 1999, a uma “balada” para matar a curiosidade e enfim decidir nunca mais pisar em uma congênere local. Se em 99 paguei 5 reais por uma latinha de Brahma, pergunto-me quando deve custar dez anos depois. R$ 10,00 ?! Fora o trânsito infernal e a superlotação dos restaurantes e bares.
Mas o Festival é mesmo muito bom. Se puder ir pra ficar em uma casa ou pousada afastada da cidade e do caos, dá pra aproveitar (mas reserve a grana, por lá é preciso de uma forma ou de outra!). Dentre tantas atrações com maior ênfase na música de câmara, destaco uma banda da saudosa Tatuí: a Orquestra de Metais Lyra de Tatuí. Bom som o dos moleques!! Recomendo. Atração gratuita!
Pra quem não quer ir a tão longe, gastar bem menos e não se preocupar com “etiqueta” "glamour" e outras pseudofelicidades "pequenoburguesas", pertinho daqui fica a charmosa vila ferroviária de Paranapiacaba, que também dá início a seu festival de inverno no próximo fim de semana, com programação todo sábado e domingo até o final do mês. Programação totalmente gratuita (no site ou no post, abaixo), é necessário chegar com bastante antecedência para se conseguir ingressos. Também há o inconveniente do trânsito e da espera, além do deslocamento obrigatório de ônibus até a vila (há um necessário traslado de ônibus desde o estacionamento, pois este fica a alguns quilômetros para que os carros não cheguem até o centro). Mas vale a pena. A programação forte é a musical, com presença neste ano de Lô Borges, Toquinho, Luciana Melo, Mariana Aydar, Luiza Possi, Na Ozzetti, Daniel Gonzaga, Vander Lee, Vânia Abreu, entre outros nomes locais. Destes vale destacar Flávio Barba, que me surpreendeu com seu som no ano passado, e Kleber Albuquerque.
Há ainda ótimo espaço para o teatro na programação. O espetáculo “Jogando no Quintal” também está entre as atrações
Pra quem quiser e puder esticar até mais longe, tem início amanhã o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, em MG. Leia mais a respeito na postagem abaixo!
FESTIVAL DE INVERNO DE PARANAPIACABA 2009
Procure chegar para o show na vila com umas 4 horas de antecedência
DIA – 11 de Julho
DIA – 12 DE JULHO
FESTIVAL DE INVERNO DE OURO PRETO E MARIANA 2009 - MG
Ainda não consegui conhecer este festival, mas sempre que vou pra Ouro Preto não há quem não me recomende. Um "carnaval" com um nível acima em termos musicais. Mesmo sem ter checado pessoalmente eu aposto minhas fichas pelo que já pude conferir. O povo de lá é impecável nesse tipo de organização. Não, esqueça o carnaval universitário, do qual provavelmente já conheça algo, ainda que apenas por referência. Não me refiro em hipótese alguma às repúblicas de estudantes. Falo de outra coisa. Só para ficarmos em um exemplo, o Insituto Candoguero, também presente no festival, foi o responsável pelo melhor palco do Carnaval passado. Merecerá uma publicação a parte neste blog, em outro momento. Por ora apenas confesso que não poucas vezes chorei, emocionado em estar naquela festa. Samba de verdade, carnaval de verdade. Até para as crianças havia matinê.
Espécie de conservatório local, o Instituto tem alguns grupos musicais dignos de nota, alem do bloco de maracatu que percorre as ladeiras de OP no Carnaval. Lógico que participei deste.
Mas saudades a parte, longe de ser a principal atração. Mas são o núcleo do cortejo de abertura, que inclui ainda outros blocos típicos como a Bandalheira e o Zé Pereira dos Lacaios.
O tema do festival este ano é o Clube da Esquina. Portanto, nomes como Milton Nascimento, Fernando Brant, Beto Guedes e Lô Borges não poderiam faltar. O show de abertura, em Ouro Preto, fica por conta da madrinha do samba, Beth Carvalho (08/07, 21h). também fazem parte da programação musical das duas cidades Joyce, Tavinho Moura, Viola de Folia (recomendadíssimo, outro projeto do Instituto Candoguêro), Daniel Gonzaga, André Mehmari, Yamandú Costa, Brass Band Mèditerranèe (atração francesa) e Moska.
O festival, com programação diária até o dia 26, não se restringe à música. O teatro também é forte presença, inclusive tendo como palco as inúmeras igrejas das duas cidades. Debates, palestras sobre patrimônio natural, exposições de fotografia, intervenções artísticas diversas, boa programação infantil e ótima programação de cinema com algumas “mostras paralelas”.
A Mostra “100 anos de Carmem Miranda” traz filmes como “Banana is my Business”, “Uma Noite no Rio” e “Entre a Loira e a Morena”. O “Cineclube da Esquina” apresenta clássicos tais como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha, “Rocco e seus irmãos” de Visconti, “Jules e Jim” de Truffaut, “Acossado” de Godard, “Hiroshima, meu Amor” de Resnais, “Rastros de Ódio” e “O Homem que Matou o Facínora”, de John Ford. A mostra “Cinema de Resistência no Brasil Ontem e Hoje” foca, evidentemente, o cinema marginal brasileiro. Andrea Tonacci (seu “Serras da Desordem” está na programação), Sylvio Lanna e José Sette são alguns dos cineastas representados.
Se alguém aí estava querendo alguma desculpa pra tomar uma cerveja tão longe, acho que dá pra encarar a estrada! Ah, se eu pudesse... quem sabe ano que vem.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
... e não desanima!

A primeira sequencia até poderia ter corte próprio, ser desmembrada do resto do filme, e ainda subsistiria com vida própria. Com outro enfoque, evidentemente, e como curta metragem. Belíssima. Uma espécie de “Sinfonia da Metrópole” atual: o amanhecer no Centro de São Paulo, proximidades do Mercado Municipal, os primeiros trabalhadores, o decorrer do dia no correr da metrópole e, finalmente, o cair da noite. Com foco no centro e na sua gente, com fotografia viva e impressionante, temos um pouco do universo temático de Paulo Vanzolini, compositor paulistaníssimo retratado em “Um Homem de Moral”, de Ricardo Dias.
Quando o filme foca a vida noturna e “Ronda” começa a soar na voz de Márcia, sua mais conhecida intérprete, é que o filme mergulha em definitivo na história de Vanzolini e da criação de suas letras. Bom frisar: “Ronda” com “R” e não com “H”, como frequentemente escrito nos karaokês da Liberdade, onde é hit entre as mais tocadas, como nos informa o próprio compositor.
Em uma de suas primeiras falas Vanzolini nos conta de seu projeto de “prestação de contas” com São Paulo. Tal projeto é o ponto de partida do documentário, o que motivou o diretor a fazê-lo. Uma seleção de algumas de suas canções, que resultou na caixa com 4 CDs lançados em 2003 pela Biscoito Fino. Uma antologia com participação de nomes de peso: Paulinho Nogueira – falecido em agosto de 2003, aqui em uma de suas últimas aparições –, Martinho da Vila – interpretando a hilária “Juízo Final” -, Chico Buarque, Cristina Buarque e Miúcha – cujo pai, Sérgio Buarque de Hollanda, era amigo pessoal de Vanzolini -, Paulinho da Viola, Elton de Medeiros, a afinadíssima Virgínia Rosa, o surpreendente Bando de Macambira – em uma não menos surpreendente “capoeira” -, e, claro, Inezita Barroso e Márcia, além de outros.
Ricardo Dias documenta os preparativos, os ensaios e as gravações também “se aproveitando” de outro vínculo de amizade do retratado. Seu pai também era amigo pessoal do zoólogo-compositor. CDs prontos, realização de um show e sim!, temos mais um “Buena Vista Social Club”, outro “Cafe de los Maestros”... A fórmula se repete, para o bem ou para o mal.
A opção por apresentar algumas músicas e as respectivas explicações do autor sobre a criação delas é interessante, mas limitadora. Mas como o foco é outro, como a intenção é nos apresentar um pouco mais de Vanzolini, tão desconhecido das massas quanto são conhecidas suas músicas, o filme cumpre seu papel. Não é uma cinebiografia, mas uma homenagem com apenas algumas passagens biográficas. E o filme “vende” o que promete. A imagem do homem da ciência, com doutorado em Harvard, mas extremamente próximo do povão, é apresentada. Letrista de talento com sensibilidade marcante. Homem culto com comportamento extremamente simples.
Ricardo conduz a narrativa de forma que o filme, em quase sua totalidade, se desenvolve segundo a fórmula “1) apresentação da canção; 2) explicação sobre a criação da letra; 3) algum convidado interpretando, nos ensaios, na gravação e no show”. Não mais que isso. Mas como as letras são boas e o carisma de Vanzolini – e de seus convidados – é imenso - , é fácil se entregar ao filme. Aqui o crítico se despe de sua chatice e até se emociona em algumas passagens, como a da sequência final. Nesta, por “acidente” ou homenagem, repete a fórmula de outro documentário, “Meu Tempo é Hoje”, sobre Paulinho da Viola: cada verso de “Volta por Cima” é cantarolado por pessoas comuns nas ruas do centro, nos bares, no comércio popular. Até os cenários se repetem: a barbearia e as mesas de sinuca, como no filme sobre Paulinho, também estão aqui.
No geral, um bom filme com uma excelente trilha sonora.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Clipes do Balaio # 20 - Maurice Jarre e "Chaiyya Chaiyya"
De qualquer forma, inconcebível pensar em cinema totalmente dissociado da música. Há diversos compositores que fizeram sua fama graças à arte das telonas, onde puderam mostrar todo o talento criativo casando perfeitamente seus acordes com os roteiros e a fotografia de outros grandes mestres.
Pois bem, esta introdução se fez necessária para que eu pudesse falar de Maurice Jarre, falecido na segunda feira passada, aos 84 anos.
Maurice foi compositor, em cinco décadas de trabalho, de grandes temas de grandes filmes. Para ficarmos em apenas alguns exemplos: "Lawrence da Arábia" (1962), "Doutor Jivago" (1965), "Passagem para a Índia", (1984), "O tambor". Também compôs as trilhas de "O ano em que vivemos em perigo", "Mad Max 3", "Atração fatal", "A testemunha", "Ghost", entre muitos outros. Foi vencedor de três Oscars, quatro Globos de Ouros, dois BAFTA e Grammy.
É de Maurice Jarre o LADO A desta semana. Aqui ele aparece regendo a execução de seu mais famoso trabalho: o tema do filme "Doutor Jivago".
Também de cinema nosso LADO B.
Aproveitando a "onda indiana" desta semana, um clássico do cinema indiano: "Chaiyya Chaiyya", da trilha do filme "Dil Se", de 1998. Em ritmo de vídeo-clipe (como quase toda cena musical no cinema bollywoodiano), uma viagem de trem vira um espetáculo de dança. Não dá para não rir em muitas cenas, dado o estranhamento causado em nosso olhar ocidental. Mas a sincronia e o ritmo são muito bons. Reparem na perfeita sincronia do rebolado da mocinha (Manisha Koirala) com os acordes musicais, já quase no final do vídeo. Esplêndido!
Dá para não achar divertido?
Bela sequencia, por sinal!
PS: vale a pena conferir o uso dessa música em "O Plano Perfeito", de Spike Lee, já mencionado por aqui quando comentei "Quem quer ser um milionário?". Aqui o link do filme com a canção abrindo a história.
domingo, 22 de março de 2009
Pioneiras
Dentre os links que coloquei à disposição dos leitores deste blog, à direita da tela, há o de um site muitíssimo interessante para quem gosta de música. Trata-se do completo e excelente Gafieiras.

"ANTES DE TUDO, A MÚSICA
"A exposição fotográfica Pioneiras é uma homenagem à música brasileira e, claro, às mulheres. Focaliza 13 artistas de diferentes gêneros musicais que foram pioneiras em assumir o palco como meio de expressão pessoal e artística entre os anos 1940 e início dos anos 1960. Mulheres que romperam as fronteiras firmadas pela sociedade da época, que as condenavam ao universo doméstico ou a determinadas atividades profissionais. Mulheres que materializaram o desejo de serem artistas num meio dominado pelos homens e pelo machismo. Mulheres que contribuíram para que as gerações seguintes enfrentassem menos trânsito para se expressar sobre temas vistos da perspectiva feminina.

Crédito das fotografias publicadas aqui: 1) mão ao piano de Eudóxia de Barros, por Otávio Valle; 2) Alaíde Costa, por João Correia Filho; 3) Claudette Soares, por Fernando Angulo; 4) Inezita Barroso, por Renato Nascimento; e 5) Maricenne Costa, por Fernando Angulo.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Clipes do Balaio # 18: Barcelona!!!
E em retribuição a um pedido meu atendido no Cinemadicto, deixo vocês com o divertido clipe da canção "Barcelona", interpretada por Giulia y los Tellarini - grupo baseado em Barcelona e capitaneado pela italiana Giulia Tellarini - , da trilha do filme "Vicky, Cristina, Barcelona" - trilhas sempre escolhidas a dedo por Woody Allen.

É quase carnaval!!!