Mostrando postagens com marcador documentários. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador documentários. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

É TUDO VERDADE - Parte 2

Pela primeira vez desde que foi concebido em 1996 pelo crítico Amir Labaki, o festival de documentários "É Tudo Verdade" foi dividido em duas partes. A primeira teve lugar no primeiro semestre, com as mostras competitivas. Desde ontem e até o dia 07.09, sempre com exibições na Cinemateca, as Mostras Especiais é que terão vez. São três as mostras especiais: "O Estado das Coisas", "50 Anos de Arraial do Cabo - Homenagem a Saraceni" e "Retrospectiva Louis Malle Documentarista".
Abaixo, a programação completa dos dias restantes. Sinopses completas nos sites da Cinemateca e da organizaçao do evento.

02.09 quarta
14h30 CARTAS AO PRESIDENTE
16h30 ARRAIAL DO CABO ETNOGRAFIA DA AMIZADE
18h30 ÍNDIA FANTASMA – EPISÓDIOS 1 E 7
20h30 FORDLÂNDIA

03.09 quinta
14h30 A RAINHA E EU
16h30 FORDLÂNDIA
18h30 PLACE DE LA REPUBLIQUE
20h30 OLHOS BEM ABERTOS

04.09 sexta
14h30 ECOS
16h30 OLHOS BEM ABERTOS
18h30 O PAÍS DE DEUS
20h30 UM PRESIDENTE A LEMBRAR – NA COMPANHIA DE JOHN F. KENNEDY

05.09 sábado
14h30 CARTAS AO PRESIDENTE
16h30 UM POVO NAS SOMBRAS
18h30 AND THE PURSUIT OF HAPPINESS
20h30 A RAINHA E EU

06.09 domingo
14h30 UM PRESIDENTE A LEMBRAR – NA COMPANHIA DE JOHN F. KENNEDY
16h30 CAPTURANDO A REALIDADE: A ARTE DO DOCUMENTÁRIO
18h30 ARRAIAL DO CABO DEBATE
20h30 VIVE LE TOUR HUMANO, DEMASIADAMENTE HUMANO

07.09 segunda
14h30 ÍNDIA FANTASMA – EPISÓDIOS 1 E 7
16h30 PLACE DE LA REPUBLIQUE
18h30 O PAÍS DE DEUS
20h30 AND THE PURSUIT OF HAPPINESS

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Raulzito no cinema!

A notícia eu vi no blog do Kid Vinil, dia 08.07. Grande notícia, diga-se.

Um documentário sobre Raulzito, dirigido pelo especialista em documentários Evaldo Mocarzel e pelo talentoso fotógrafo-diretor Walter Carvalho!

"O início, o fim e o meio" foi prometido ainda para esse ano.

É esperar pra conferir!

terça-feira, 14 de julho de 2009

ENGARRAFAVA BRUMAS E COLECIONAVA ARCO-ÍRIS

Lírico. E o lirismo vai muito além do título em "O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS", novo documentário de Lírio Ferreira, sobre HUMBERTO TEIXEIRA, o "Doutor do Baião". Sinestesia completa, seja na música que invade a tela de colorido vivíssimo, seja na poesia construída com edição e montagem perfeitas. A fotografia, por sinal, é um desbunde, obra do cracaço Walter Carvalho.
Após a bela abertura em "cordel", já dando o mote nordestino, o filme parte de alguns "pontos centrais" para nos contar um pouco mais sobre quem foi o "Doutor do Baião". Apresenta-nos o sertão cearense, a cidade de Iguatu, local de origem de Humberto Teixeira. Os costumes locais, sua gente, os personagens típicos da região. O vaqueiro da caatinga e sua veste de couro. A sanfona. O "consertador" de sanfona. O Cordel. A poesia. A música. O baião, que Humberto Teixeira levou para o Rio de Janeiro, urbanizou e, em parceria com Luiz Gonzaga, tornou popular no Brasil todo, conhecido e cultuado no exterior.
Sua filha, a atriz Denise Dumont, é importante figura condutora do documentário, do qual é também produtora. Logo no início, declarando não conhecer com exatidão a devida importância da obra de seu pai e com o objetivo de desvendar para si mesma quem foi o homem público Humberto Teixeira, é ela quem nos guia nessa jornada de descoberta. É ela, aliás, quem entrevista grande parte das personalidades – e são muitas – que desfilam pela tela.
Entre tantos nomes, ora a ilustrar a cultura nordestina, ora a falar diretamente de Teixeira, os saudosos Patativa do Assaré e Sivuca, o maestro Wagner Tiso, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Lenine, Otto, Gal, Lirinha e seu Cordel do Fogo Encantado, os cearenses Fagner e Belchior, os roqueiros influenciados pelo baião Raul Seixas e Os Mutantes, os internacionais Bebel Gilberto, Forró in the Dark – grupo que toca baião com sucesso em Nova Iorque – e David Byrne, são alguns dos nomes que se revezam na tela, entre uma música e outra, entre uma passagem e outra da vida do doutor pioneiro, como deputado federal e como intelectual, pela defesa dos direitos autorais no Brasil. David Byrne, responsável inclusive pela redescoberta de Tom Zé na década de 90, revela-se grande apaixonado pela música brasileira. É dele a interpretação de uma arrepiante versão em inglês para "Asa Branca"
Vale destacar que Denise não isenta o pai de críticas, o que fica evidente quando toma o forte depoimento de sua mãe, Margarida Dumont, ex-esposa de Teixeira. Pai machista, preconceituoso, que não aceitava a filha como atriz, profissão não condizente com a figura de "moça de família". Marido que interrompe a carreira da própria esposa, também atriz.
São muitas as informações, em parte narradas pela voz do próprio Humberto Teixeira. Tem-se a impressão, em alguns pontos, de se perder o "fio da meada". As peças soltas, porém, vão se encaixando, se assentando no decorrer da narrativa.
A frieza de um comentário escrito como o que se pretende aqui com certeza não traduz a imensa beleza do filme. Como na letra de um baião, a história de Humberto Teixeira é contada com alegria, apesar da tristeza inerente. Lírico. Lirismo que, nesse caso, vem também de Lírio Ferreira. Se o trabalho anterior do diretor – "Cartola" – era "música para os olhos", "O Homem que Engarrafava Nuvens" é poesia para a alma e para o cantinho do cérebro que hospeda a emoção.

PS: tenho dúvidas da imparcialidade desses comentários. Difícil conter um certo exagero. O filme casa de forma bastante coesa grandes paixões minhas: a música (em especial a popular), fotografia (como já dito, do mestre Walter Carvalho), o povo e seus costumes e, evidentemente, o cinema-arte. É ver pra crer!
PPS: o documentário deve estrear no circuito comercial em outubro ou novembro deste ano.