Mostrando postagens com marcador 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Mostrar todas as postagens
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sábado, 7 de novembro de 2009

Acabou mas continua

"O Inferno de Clouzot" (França), de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea. Muito bom documentário sobre o filme inacabado de Henti-Georges Clouzot, "L'Enfer", superpordução para a época, com orçamento ilimitado liberado pelos produtores americanos. O documentário mostra todas as inovações tecnológicas buscadas, os ensaios técnicos com os atores, os primeiros meses de filmagens. Um documentário, a exemplo de "Belair", sobre o "fazer cinema". Aqui o enfoque é outro, até mesmo porque outras eram as condições de Clouzot, mais favoráveis em relação aos diretores brasileiros em plena ditadura. Mas guardadas as devidas proporções entre os documentários, lembra bem um ao outro. Muitas cenas do filme inacabado, cujo som fora perdido. Para solucionar a questão, e nos mostrar o enredo macabro do marido que enlouquece de ciúmes pela esposa jovem, o documentário insere diálogos em estúdio entre um casal de atores que lê o texto de Clouzot. Muito interessante!
"Voluntária Sexual" (Coreia do Sul), de Kyong-Duk Cho. Bem fraquinho. Mas serve para pensar os critérios da premiação da Mostra. Eu particularmente sou contra essa história de o público selecionar os finalistas. Dá nisso: filme sentimentaloide, meio esquizofrênico na montagem (há quem dirá que é inovador), péssimos atores (ou seria a direção de atores?). O argumento é muito bom: sobre os "voluntários sexuais", que têm como meta dar prazer sexual a deficientes. Mas só pela história um filme merece ganhar o prêmio? E se essa história for mal conduzida, como nesse roteiro coreano? Dentre os finalistas, eu havia visto somente o "Mau dia para pescar". Dentre os dois, o "Mau dia..." tem historia mais batida, é convencional, etc e tal. Talvez seja esse um dos motivos para o "Voluntária..." ter levado o prêmio máximo do festival. Desenvolverei mais sobre o longa coreano em breve.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Amor e o Horror

"Todos os Outros" (Alemanha), de Maren Ade. Belíssimo filme. Filme que conquista pelos detalhes. Personagens com uma profundidade riquíssima, interpretados com força pelo casal de atores. O conflito de personalidades entre eles, muito diferentes entre si mas ainda assim apaixonados um pelo outro, as inúmeras tentativas de se acertarem e as concessões mútuas, a adaptação ao outro, o se comunicar apenas com olhares e as sucessivas tensões no relacionamento. Cinema de atores com forte uso do gestual.
"A Ressurreição de Adam" (EUA, Alemanha, Israel), de Paul Schrader. O circo, o mágico, o palhaço, tudo em um só personagem, Adam Stein, mas que perde espaço para o terror. O horror da guerra, do antisemitismo, que aos poucos toma de assalto a vida dos judeus alemães. Horror que deixa suas marcas para além do fim da guerra, marcas muito mais profundas que os números tatuados nos braços. Filme pesadíssimo, sombrio, ambientado em um manicômio para judeus sobreviventes do holocausto. Some a isso os flasbacks do terror vivido pelo protagonista, que além de ter sido obrigado a tocar violino enquanto acompanhava sua família conduzida aos fornos do campo de concentração, ainda era obrigado, para sobreviver, viver como se um cachorro fosse (literalmente). Tudo isso contado de forma muito inteligente, fugindo do melodrama tradicional em filmes que retratam o holocausto. Filme sombrio sim, mas de uma força ímpar. Excelente roteiro e direção, além de interpretações impecáveis. É preparar a alma e encarar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Belair, Eça por Manoel e Cinema Marginal.

"Belair" (Brasil), de Noa Bressane e Bruno Safadi. Documentário sobre a produtora Belair, de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, de existência reduzida a poucos meses de 1970. Na verdade é um documentário sobre a paixão de fazer cinema, sobre a preocupação de pensar cinema como arte e filosofia, em uma época em que pensar demais era sinônimo de ser subversivo. Bom trabalho com imagens de arquivo, montagem adequada e fotografia das filmagens contemporâneas de beleza ímpar. Destaque para o plano sequência de "Sem Essa Aranha", participação especialíssima de Luiz Gonzaga e protagonizado por Zé Bonitinho e Helena Ignez. Imperdível!
"Singularidades de Uma Rapariga Loura" (Portugal, França, Espanha), de Manoel de Oliveira. União de mestres. Conto de Eça de Queiroz filmado por Manoes de Oliveira. O resultado não poderia ser outro. Filme deliciosíssimo de ser visto. Outro imperdível!!!!
"Caveira My Friend" (Brasil), de Álvaro Guimarães. É "ferro na boneca" porque "o mundo é mágico, bixo"! Cinema marginal brasileiro dos anos 70. Extremamente experimental, portanto. Para estudiosos e/ou curiosos sobre a história do cinema brasileiro, não pode deixar de ser visto. Destaque para a participaçao de Baby do Brasil (então Consuelo), além da trilha by Novos Baianos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Reta final

Se ajudar na escolha do que ver nesta última semana de Mostra, aí vão algumas impressões:

"Os Famosos e os Duendes da Morte" (Brasil/França), de Esmir Filho: me irritou um pouco por ser excessivamente pretensioso. Muita "xaropada" travestida de inovação, dá um ar de videoinstalaçao (das fracas) ao filme, além de ser um filme barulhento. Alguns clipes horrendos que agradarão apenas àqueles que acham "Teatro Mágico" o máximo. Se fosse mais simples e menos pretensioso chegaria a melhor termo, já que possui algumas sequencias muito bacanas, além de ser bem filmado - a produção é impecável.
"Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo" (Brasil), de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Lindo, lindo, lindo!!!!! Texto preciosíssimo! Mais um filme que explora uma certa documentação em meio à parte ficcional, mas aqui feita com maestria. Lembra Jia Zhang-Ke sem que pareça cópia barata. Imperdível, para ser visto mais de uma vez!
"London River" (Reino Unido, França, Argélia), de Rachid Bouchareb. Filme bem bacana. Exemplo de simplicidade com bons resultadas. Apesar de meio quadradão no formato, um tanto sessão "Supercine", o tema e os bons atores mantêm o interesse na história, que passa rápido apesar de eventual sono que pode já começar a dominar o cinéfilo a esta altura da maratona da Mostra.
"Samson e Delilah" (Austrália), de Warwick Thornton. Apesar de altos e baixos, e de algumas opções um tanto apelativas no pior estilo "Quero ser um Milionário", o candidato da Austrália a uma indicação ao Oscar 2010 é um filme interessante, principalmente pelo foco na aridez e a sujeira a que estão condenados os marginalizados descendentes aborígenes na Austrália moderna. Destaque para direção de atores, que soube extrair delicadeza da dupla de protagonistas, que falam muito sem nada dizer. Para os brasileiros fica ainda a curiosidade em se ouvir a versão em espanhol de "Talismã", de Sullivan e Massadas - sucesso de Leandro e Leonardo -, como um dos temas principais do longa.
"Eles Não Usam Black-Tie" (Brasil), de Leon Hirszman. Uma pena que esse lindíssimo filme não seja prestigiado. Em sessão única na sala 2 do Unibanco Arteplex, menos de 30 pessoas presentes. O ganhador do Festival de Veneza em 1981 foi restaurado pela Cinemateca, ganhou surpreendente brilho novo (parece ter sido feito ontem) e traz um elenco impecável - entre outros os saudosos Francisco Milani e Gianfrancesco Guarnieri. Filme lindíssimo, tem ainda como diretor musical Radamés Gnatalli e música tema composta por Adoniran Barbosa. Filmaço pra terminar bem a maratona do dia!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Do Azerbaijão ao Brasil, passando por Irã e Rússia

"A 40ª Porta" (Azerbaijão), de Elchin Musaoglu. Curioso. E apenas isso. A curiosidade vem de se ver algo de um país sem tradição alguma no cinema. Começa ruim, melhora, piora, e quando dá a impressão que vai melhorar de vez (com a história do menino que gostaria de mudar de vida tocando um instrumento de percussão), o filme acaba.
"Ninguém Sabe dos Gatos Persas" (Irã), de Bahman Ghobadi. Excelente. Em um país fundamentalista onde álcool e rock são crimes gravíssimos, o diretor vai atrás da cena musical underground em Teerã. Bandas que precisam se esconder para ensaiar. País onde ser músico é ser subversivo. Bastante documental e com forte influência pop - que se evidencia nos momentos de vídeoclipes durante os ensaios das bandas visitadas -é uma das preciosidades que não podem deixar de serem vistas nesta edição da Mostra.
"Enfermaria Número 6" (Rússia), de Karen Chakhnazarov. Indicado ao Oscar pela Rússia. Baseado em conto de Tchecov. O conto deve ser bom, já que a história é muito boa! O filme não é. Meus primeiros cochilos desta Mostra. Fuja!
"Os Inquilinos" (Brasil), de Sérgio Bianchi. O filme atinge o que pretende e é muito bem conduzido. Mas só vale pelos aspectos técnicos, o que, convenhamos, não pode ser a única coisa a ser buscada no cinema. Mais do mesmo - outro "filme de miséria", mas sem a genialidade de um "Linha de Passe" -, com atores medianos. Não gostei.

domingo, 1 de novembro de 2009

E mais estes...

"O Que Resta do Tempo" (França, Palestina), de Elia Suleiman. Filme autobiográfico sobre a difícil convivência entre israelenses e palestinos. Muitíssimo bem filmado: cores, enquadramentos! Muito bom!
"Insolação" (Brasil), de Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Excelente! E deve agradar mais a quem é fã da Sutil Cia. de Teatro. A linguagem teatral é evidente no primeiro longa de Hirsch. Elenco monstruosamente ótimo, filme com poesia do começo ao fim. Da aridez dos temas dos contos russos que lhe serviram de inspiração, extrai-se a delicadeza dos sentimentos: tristeza, amor.
"A Town Called Panic" (Bélgica, França, Luxemburgo), de Stéphane Aubier e Vincent Patar. Os brinquedos têm vida! Divertidíssimo!!! Colorido e história psicodélicos e surreais!
"O Fantástico Sr. Raposo" (EUA), de Wes Anderson. Do mesmo diretor de "A Vida Marinha de Stevie Zissou" e "Viagem à Darjeeling", não poderia ser diferente: outro filme divertidíssimo. Ou melhor: animação divertidíssima! Os bichos são protagonistas, falam e tudo mais? OK, mas mantêm seus instintos selvagens! Grandes sacadas, desenho pra gente grande!
"Rock Brasileiro - História em Imagens" (Brasil), de Bernardo Palmeiro. Feito como projeto para distribuição em escolas, é bastante didático. Documentário correto, com a profundidade possível para uma história de 50 anos de rock nacional contada em 67 minutos.
"O Dia da Transa" (EUA), de Lynn Shelton. Pretende ser comédia mas se leva a sério demais. Inverossímel em muitos pontos, a história caberia melhor em uma comédia menos "cabeça", menos "independente". Não gostei.
"Tom Zé Astronauta Libertado" (Espanha), de Ígor Iglesias Gonzales. Muito bom! Um bom recorte da genialidade do performático compositor precursor do sampler. Filme delicioso de ser visto.
"Dente Canino" (Grécia), de Yorgos Lanthimos. S E N S A C I O N A L !!! Inventivo ao extremo. Assustador se dar conta de que a história da família isolada do mundo, cujas crianças são educadas (educadas?!?!) de modo a desconhecerem totalmente o que há depois do muro da casa onde vivem, é verossímil.
"Perseguição" (França), de Patrice Chéreau. Chatíssimo!!!! Blablablá a serviço de absolutamente nada!
"O Pequeno Burguês - Filosofia de Vida" (Brasil), de Edu Mansur e Marco Mazzola. Documentário sobre Martinho da Vila. Documentário "raso". Uma grande figura em um "Especial" para TV.
"Mau Dia Para Pescar" (Uruguai, Espanha), de Alvaro Brechner. Muito Bom!!! Direção de arte impecável, produção luxuosa, história muito bem contada!

sábado, 31 de outubro de 2009

Mais da Mostra: do grotesco ao sublime, do essencial ao dispensável

Algumas impressões sobre a Mostra, que entra em sua última semana.
"À Procura de Eric" (Inglaterra), de Ken Loach: Muito divertido e singel. Vale a pena ser visto. Tem previsão de lançamento comercial no dia 06.11, segundo a FSP.
"Alga Doce" (Polônia), de Andrzej Wajda: muito belo, mas aproveita mais quem já vai sabendo do que se trata: mistura da realidade da atriz, que perdeu o marido recentemente (fotógrafo do diretor), com a historia da personagem principal da parte ficcional, que também lida com a morte de seus dois filhos na guerra. Belíssimas imagens e textos.
"Hotel Atlântico" (Brasil), de Suzana Amaral: espécie de road movie brasileiro, o personagem principal vai encontrando em seu caminho diversos tipos. É o que mantém o filme atraente. Gero Camilo, João Miguel e Mariana Ximenes como sempre em ótimas interpretações.
"Aconteceu em Woodstock" (EUA), de Ang Lee: Muito bom! Em meio ao caos colorido de Woodstock Ang Lee consegue focar em apenas um personagem, e o acompanha com sua câmera em meio ao labirinto humano e psicodélico de uma época de libertações. Estreia prevista para 13.11
"O Primata" (Suécia), de Jesper Ganslandt: ótima ideia jogada no lixo. O dia de um assassino, acompanhado de perto pela câmera. Ideia boa, mas filme muito chato.
"Katalyn Varga" (Hungria, Rômênia), de Peter Strickland: bela surpresa. Fotografia linda, um tanto medieval (embora não seja filme de época), história boa, boa direção. Filme muito bom, pra compensar a porcaria vista antes ("O Primata").
"Alô, Alô, Terezinha" (Brasil), de Nelson Hoineff: muito ruim e grotesco, se pretende como extensão dos programas do Velho Guerreiro mas consegue no máximo ser um Ratinho, com algumas pitadas de Luciana Gimenez. E joga no lixo a ideia de se fazer um documentário sobre um ícone da TV.
"Corações em Conflito" (Suécia, Dinamarca, Alemanha), de Lukas Moodysoon: produção globalizada com Gael Garcia Bernal como protagonista. Gostou? Não se iluda: o filme é conservador e extremamente piegas. Há bons momentos, principalmente quando a câmera deixa de lado as lições de moral que pretende dar ao espectador e foca nos conflitos de seus personagens. Mas não salva o longa.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"À Procura de Elly" (Irã), de Asghar Farhadi


Concorrente do Irã a uma vaga no Oscar 2010, não me chamou muita atenção não esse "À Procura de Elly". E olha que tem lá seus pontos positivos. O primeiro deles: esqueça o estilão iraniando de filmes! Trata-se de um "filme de mistério". Se bem que ao mesmo tempo que é uma vantagem, pela curiosidade que tal fato possa despertar em se tratando de um filme iraniano, é também uma desavantagem, ao fugir do que o cinema de lá sabe fazer melhor.

O diretor, Asghar Farhadi, sabe prender a atenção, mas se utilizou neste longa de alguns subterfúgios que achei um tanto artificiais. Se dão resultado durante parte da trama, depois de um tempo já não surtem o mesmo efeito.

Elly é convidada por um grupo de pessoas que vão passar um fim de semana em uma casa de praia. É professora de uma das crianças e será apresentada a um dos solteiros. Assim como os ocupantes da casa, nós também pouco sabemos sobre a personagem que dá nome ao filme. Quase nada além de seu primeiro nome – apelido, na verdade – e do porquê de ter sido convidada.
Uma das crianças quase se afoga e Elly some. O restante do filme gira em torno de se saber o que aconteceu com ela. Teria se afogado tentando salvar o menino? Sabemos não muito adiante que ela tem um noivo. Apesar de insatisfeita com o noivado, não conseguia terminar o relacionamento. Teria então se matado no mar? A cena que antecede seu sumiço nada diz: Elly brincando de pipa com as crianças, nitidamente feliz. As crianças com quem ela brincava saberem explicar absolutamente nada, tudo a serviço de criar um “mistério” para a trama. O fim do filme também só serve para criar um final parcialemente aberto (sabemos do fim da personagem, mas não de como chegou a ele). Mas assim como os demais personagens que tocam suas vidas, chega a ser inútil saber exatamente o que aconteceu com a personagem, que não envolve o espectador antes de seu sumiço. Se pelo modo "A" ou "B" não importa muito no fim das contas. Não é filme ruim – prende a atenção, e relativamente bem, como já dito -, mas não é imprescindível.

Conversando com um desconhecido em uma sessao qualquer da Mostra, fico sabendo que ele gostou por mostrar como cada pessoa reage diferente diante da situação: uns mais egoístas, outros apreensivos. Ok. Mas nada novo, não? E sem grandes profundidades. Sei lá. Vai ver eu que ando chato demais mesmo.

Tô fora, tô dentro

Tentei garantir ingresso para a sessão de sábado para "Seguindo em frente". Ingressos destinados à troca antecipada: esgotados. Para não me ver no perrengue de enfrentar fila no dia, já na abertura da bilheteria (não estou certo disso, mas até onde sei há uma reserva de ingressos para venda no dia, destinados ao público não credenciado e aos credenciados sem ingresso antecipado), optei por ver o uruguaio aspirante ao Oscar 2010: "Mau dia para pescar". Fico sabendo agora pelo Cinemadicto, blog de meu amigo Roger Tahira (e que todo ano faz uma cobertura exemplar dos filmes da Mostra) que a película deixa a desejar. Agora já foi. Torcer então para ter melhor impressão que a dele.
Melhor sorte para as sessões desta sexta. Fica a dica para o documentário "Rock Brasileiro - história em imagens". Soube do filme diretamente de sua roteirista, Kika Serra. Explico. A moça é corresponsável, ao lado de MdC Suingue, pelo site Caipirinha Appreciation Society, programa de rádio online gravado no RJ para a Universidade de Londres. Sou ouvinte constante da dupla e por facebook foi que soube do doc. A princípio seria distribuído apenas para bilbiotecas de escolas. Foi exibido no Festival do Rio e agora o filme desembarca nas salas da Mostra. Nas palavras de Kika, embora a "encomenda" fosse para ser algo mais didático, "conseguiram contrabandear algumas discussões bacanas para o longa". É conferir então.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Comentários rápidos e rasteiros

MARADONA (ESPANHA/FRANÇA), de Emir Kusturika

Deve ser visto com algumas concessões. Kusturica não esconde a "babação" por Dieguito e isso fica claro desde o início, quando o descreve como Sex Pistols e Deus do futebol. Mas também não esconde do espectador os deslizes da vida do jogador. Alguns escorregões do filme, como o excesso de referências pop logo no início, não retiram dele a qualidade final. O resultado é realmente bom! A montagem é excelente. Prova disso é a aparição, decorrer de todo o documentário, de explicações sobre a doutrina e os rituais da Igreja Maradoniana. Grandes momentos de humor! Kusturica também absolve Maradona quanto ao famoso gol de mão na Copa de 86, ao lhe dar uma conotação política, como sucedâneo da Guerra das Malvinas (vale lembrar que o gol foi marcado no jogo contra a Inglaterra, com quem a Argentina se envolveu no conflito no início dos anos 80). Ótimo filme, de leveza ímpar, com bons momentos de emoção, como no diálogo sobre as filhas. Vale o ingresso. o Balaio recomenda! (ps: era para ser comentário mais curto, mas me empolguei)


POLÍCIA, ADJETIVO (ROMÊNIA), de Corneliu Porumboiu

Outro que vale o ingresso. Início um tanto cansativo. Muita coisa acontece, mas em silêncio. Ao contrário do longa anterior do romeno, "À Leste de Bucareste", neste os diálogos são mais escassos, ao menos no início. Em vez disso, vemos apenas o trabalho de um policial em sua rotina de vigilância a um grupo de adolescentes, com vistas a dar o flagrante por tráfico de drogas. Quando os diálogos aparecem, no entanto, o filme ganha em ritmo e humor. Humor que não esconde os temas centrais: uma reflexão sobre o papel da polícia, o rigor da lei, a questão da punição do usuário de drogas, etc. Destaque para os diálogos entre o protagonista e sua esposa, sobre a língua romena, e entre ele e seu chefe, esta última verdadeiro debate filosófico a partir da definição dos temas debatidos (consciência, moral, lei, polícia) retirada do dicionário. Veja!

MOTHER (COREIA DO SUL), de Bong Joon-Ho

Concorrente coreano a uma das indicações ao Oscar deste ano. Ao acompanhar o drama de uma mãe disposta a tudo para livrar o filho doente mental da condenação por assassinato, o filme impressiona pela forma de contar uma história envolvente e com boas reviravoltas. Uma sopa de gêneros, do drama e do policial ao bizarro e grotesco, passando pela comédia (predomintante em todo o filme). O tom de comédia e algumas bizarrices- como a do casal que transa soletrando pratos italianos - parecem ser a tônica do cinema atual coreano (ao menos dos que tenho visto). Ótimas tomadas também contribuem para fazer deste um bom filme. Também pode ser visto sem medo de se perder o ingresso! O Balaio recomenda!!

AMEREEKA (EUA, CANADÁ, KUAIT), de Cherien Dabis

O mais fraco até agora, pode ser deixado de lado sem o receio de se estar perdendo um grande filme. Está longe de sê-lo. Sobram clichês sobre imigrantes nos EUA, sobre os conflitos no Oriente Médio, o preconceito dentro do território americano. Alguns bons diálogos e a discussão dos temas fazem com que o filme tenha bons momentos. Por isso não é de todo fraco, mas não é imprescindível.

sábado, 24 de outubro de 2009

Primeiro dia

Apenas algumas breves linhas sobre os primeiros filmes da Mostra (até porque é o que "cabe" fazer por ora: cheguei em casa duas da manhã, fui dormir às 3, acordei à 9h40 e daqui a pouco, 12h, já tem sessão de "Maradona").

SEDE DE SANGUE: Muito bom! talvez cause estranhamento aos olhos do público em geral, mas nem tanto aos dos cinéfilos da Mostra. Não atinge a excelência de "Oldboy", longa anterior do mesmo diretor, mas consegue ser ainda mais inventivo. Neste predomina o tom hilariante das situações cômicas, ainda que sob o pretexto de "terror". Poderia ser um pouco mais curto, ter reduzida uma ou outra sequência, mas ainda assim vale conferir. Merecido o Prêmio do Júri em Cannes 2009 (a exemplo do que já aconteceu com "Oldboy" em 2004). Veja!!








A FITA BRANCA: Não há uma única imagem ou diálogo sobrando no roteiro. Jogo bastante intricado de significantes. As metáforas pululam, embora sutilmente e praticamente imperceptíveis. Filme sobre o convívio humano. o Ser humano é - se apropriando da parte da fala de uma das personagens - é o lugar por excelência da maldade, inveja, ignorância e brutalidade. Da hipocrisia também, pode ser acrescentado. Tudo a conduzir à guerra, sob o pretexto de vingança. Há espaço para a esperança, representada pela criança que cuida do pássaro ferido. A pureza de seu ato prescinde da fita branca que seu irmão carrega a mando do pai com o intuito de que se lembre de ter uma conduta pura. Não é um filme fácil, mas maravilhoso. O Balaio indica. Corra ver!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Domingo e segunda

Dando continuidade às últimas postagens e prosseguindo na agenda do Balaio nestes primeiros dias de Mostra:

Dia 25/10, domingo

12:00 - Reserva Cultural - "À Procura de Elly" (Irã) - Indicado iranino ao Oscar deste ano.

15:50 - Bombril 1 - Outra procura, desta vez "À Procura de Eric" (Inglaterra), de Ken Loach

20:00 - Unibanco Arteplex 1 - "Hotel Atlântico" (Brasil), de Suzana Amaral

22:50 - Cinesesc - "Aconteceu em Woodstock" (EUA), de Ang Lee

Outros do dia: "A Falta que nos Move", "Alga Doce". "35 Doses de Rum", "A Todo Volume", "Ervas Daninhas", "O Menino Peixe", "Tokio"


Dia 26/10, segunda-feira

21:05 - Cinesesc - "O Primata" (Suécia), de Jesper Ganslandt

22:30 - Bombril 2 - "Katalin Varga" (Hungria, Romênia), de Peter Strickland

Outros do dia: "Amanhã ao Amanhecer", "O Aniversário"

Este blog ainda não tem um palpite para a programação de terça-feira. Alguém se arrisca a indicar algum?

Indique os seus preferidos da Mostra

O Balaio completa um ano de vida e uma nova Mostra de Cinema tem início em sampa.
Ajude este blogueiro enviado dicas de filmes que tenha visto. Podreiras também devem ser alertadas, para o bem geral da nação cinéfila.
O endereço eletrônico ficará a disposição no canto direito da tela durante toda a Mostra.
Conto desde já com sua colaboração.
Vamos socializar as informações!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Primeiras escolhas de uma maratona cinéfila

Acho que não convém esmiuçar o contéudo do que rola na Mostra por aqui. Para não variar, a lista de filmes é enorme. E ao que parece a qualidade geral dos filmes deste ano melhorou (obrigado, Cakoff). O site da Mostra já está no ar e permite viajar na programação. É arregaçar as mangas e caçar as pérolas no meio de tantos títulos.
Por aqui vou apenas compartilhando os meus "eleitos" (blog é espaço pessoal, não?).
Pondo a agenda com antecedência, twittando diariamente sobre os imperdíveis e sobre as "bombas", analisando uma ou outra preciosidade (e podreiras também!).
Por ora não estou tão preocupado com o que vai ou não entrar em cartaz depois. Um ano em que não vi muita coisa no circuito comercial me anima a ver o que tiver vontade na Mostra, seja ou não provável lançamento futuro.
Eis os escolhidos para começar a maratona:
Dia 23/10 - Sexta-feira, duas sessões do Cinesesc
20:40 - "A Fita Branca" (Áustria, Alemanha, França, Itália), de Michael Haneke - Ganhador de Cannes deste ano e concorrente da Alemanha ao Oscar
23:20 - "Sede de Sangue" (Coreia do Sul), de Park Chan-Wook - do mesmo diretor do excelente "Oldboy"
Outros do dia: "Voluntária Sexual", "Vício Frenético", "35 Doses de Rum", "O Mundo Imaginário de Dr. Paranassus", "A Todo Volume"
Dia 24/10 - Sábado
12:00 - Reserva Cultural - "Maradona" (Espanha, França), de Emir Kusturica
15:50 - Reserva Cultural - "Polícia, Adjetivo" (Romênia), de Corneliu Porumboiu - concorrente romeno ao Oscar deste ano, do mesmo diretor de "A Leste de Bucareste"
19:20 - HSBC Belas Artes - "Mother" (Coreia do Sul), concorrente da Coreia ao Oscar
22:00 - Unibanco Augusta 3 - "Amreeka" (EUA, Canadá, Kuait)
Outros do dia: "Distante nós vamos", "O Menino Peixe", "Ressurreição de Adam", "Los Viajes del Viento"

"Chegou, chegou, tá na hora da alegria..." ou "É hoje o dia da alegria"

Caros amigos/leitores deste espaço cinéfilo mas que faz vez ou outra suas homenagens à música. E a outras manifestações artísticas. À arte. Assim como o amor, linguagem universal.
Arte. Campo de crítica, mas também de ode à beleza, estética ou abstrata. Campo de inconformismo, de desassossego, mas também de paz espiritual, de descanso para os olhos, para os ouvidos.
Enfim. Perdoem-me a empolgação. Mas tal se deve ao fato de completar-se um ano de blog.
Um ano de comentários e dicas. De compartilhamento de experiências. Um ano de Balaio Baio.
Sim, este blog amador que surgiu nos dias que antecederam a Mostra de Cinema de SP no ano passado resistiu ao amadorismo, ganhou alguns poucos seguidores contumazes e outros tantos novos amigos. Aumenta a responsabilidade quanto a manter um conteúdo ao menos sazonal. Mas aos poucos vamos nos comunicando, vou mantendo uma nesga de pequenos pontos de vista sobre algo que tenha chamado a atenção. Aos poucos driblo as tais "atividades oficiais" que têm me tomado tanto tempo e insiro mais textos por aqui.
Por ora, É CHEGADA MAIS UMA MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SAO PAULO. Que delícia!
O cartaz deste ano, elaborado pelos grafiteiros "Os Gêmeos", é um dos melhores dos últimos anos (também gostei muito do criado pelo Mestre portugues Manoel de Oliveira, uns tres anos atras). Pena que eles nao liberaram todos os direitos sobre a obra. A camiseta da Mostra traz apenas parte do desenho, nao trazendo o principal boneco que me chamou tanto a atençao. Agora a curiosidade para a vinheta é grande.
E a Mostra, ah, a Mostra!
Para ao menos dar uns pitacos sobre o que eu for vendo da programação o Twitter será a ferramenta mais utilizada. Boa chance para começar a usar.
Por aqui a agenda do que eu for ver, com antecedencia de alguns dias. Alguns comentarios breves também terão seu espaço e, na medida do possível e de acordo com as grandes surpresas que forem surgindo, algum espaço maior dedicado a um ou outro texto.
Nos vemos na Mostra?
ps: Agora o Balaio tem tb e-mail!!!
este espaço ainda prefere os valiosos comentários diretos no blog, mas tb agradece aos tímidos que prefiram escrever por correio virtual!