Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

OSCAR 2011

Este espaço está pra lá de abandonado, eu sei.
Só não deletei a página por puro apego. Meio sem tempo pra me dedicar aos textos como gostaria, menos tempo ainda para navegar pelos blogs amigos. Junte a isso a correria profissionael. Bateu a fadiga e o remédio foi largar por uns tempos a internet.
Mas eis que surge uma bom mote pra retomar (em doses homeopáticas) meu contato com vocês, parcos mas fiéis leitores (ainda o são?!).
Estou desde semana passada para postar uma dica para os cinéfilos que, invariavelmente, gostam de dar seus palpites. Como nos velhos tempos de blog, perdi o prazo. Trata-se de uma enquete promovida pelo Ministério da Cultura para que o público opinasse sobre qual dentre os 23 filmes brasileiros inscritos para o Oscar deve ser indicado pelo Brasil a concorrer a uma das cinco vagas .Julgava que a votação pela internet iria até dia 22. Ja foi.
É uma iniciativa muito interessante, mas espero que a escolha final não seja a única a ser levada em consideraçao pelo júri de notáveis do Ministério. O filme que venceu disparado na enquete é "Nosso Lar". Pelo que já pude perceber entre traileres, comentários de gente muito confiável e críticas idem, embora seja uma boa aula sobre espiritismo, está longe de ser um bom filme. Apostou pesado entre técnicos estrangeiros, talvez já pensando na Academia (o diretor de fotografia é o mesmo de "O Dia Depois de Amanhã" e a trilha é composta pelo mesmo compositor de "As Horas" e "Kundun", já três vezes indicado ao Oscar). Mas nessa linha, filme melhor, ao que parece, é "Chico Xavier". Pretendo ver um e outro entre amanha e depois. Daí concluo se há ou não razão nisso tudo.
MINHA ESCOLHA: "É PROIBIDO FUMAR". Para mim, foi a melhor produçao nacional a entrar em cartaz o ano passado. Bem amarrado, muito boa direçao de atores, roteiro inteligente, divertido. Eu o indicaria sem pensar muito.
"Os famosos e os duendes da morte" é uma xaropice só. Muito pretensioso, com clichês chatíssimos. Já comentei algo a respeito aqui.
"5 x Favela" é interessante. Interessante. Só. Boa iniciativa, alguns episódios com melhor acabamento que outros, mas também não é um filme imperdível. Logo, não acho que mereça a vaga para concorrer ao prêmio.
"Os Inquilinos" é outro do qual nao gostei, como também ja comentei antes.
"Hotel Atlântico" é muito bom filme, mas hermético demais. Gostei, mas não sei se o premiaria (talvez o elenco!).
"Quincas Berro D'água" soa como um filme dos trapalhões dos antigos, só que mais sem graça. E isso porque é transposiçao de texto de Jorge Amado. Imaginem se não fosse de autoria do mestre.
"O Bem Amado" e "Lula, O Filho do Brasil" ao que sei, são muito fracos e rasos .
Ouvi ainda falar bem de "Cabeça a Prêmio", "Antes que o mundo acabe", "Sonhos Roubados" e do "Bróder", mas nao consegui ver nenhum desses.
Outra boa surpresa pra mim foi o "Reflexões de um Liquidificador", vale como bom passatempo.
Do restante não tenho nem referências. Ou não me lembro.
Mas enfim. Como lá acabou o prazo pra votar, deixe aqui seu pitaco...
E vamos torcer para uma boa escolha no dia 23, quando o MinC divulgará o resultado.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Dr. do Baião


Finalmente, depois de tanto tempo e exibições apenas em festivais (no do Rio em 2008 e no Festival de Cinema Latino em julho do ano passado), chega finalmente ao circuito comercial o belíssimo documentário sobre Humberto Teixeira, parceiro de Luiz Gonzaga em vários clássicos do forró (uma das "famílias reais" da música brasileira, conforme Gilberto Gil diz no documentário).
Já expus em julho minha impressões sobre o documentário "O Homem que Engarrafava Nuvens". Acesse aqui para ler o texto.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ainda Eric Rohmer - "Conto de Outono"


Comentei na postagem sobre a morte de Eric Rohmer que não havia visto muitos filmes dele. Pois hoje supri parcialmente esta falta.

Como comentei por lá também, tá rolando na cidade duas boas mostras sobre o cineasta. A que fui conferir foi a do HSBC. O filme da semana é o "Conto de Outono". E que filme, meus senhores, que filme!

Se Rohmer pode parecer hermético a muitos (a crítica que mais se faz a seu trabalho), penso que isso se deve muito mais a um costume a que o "público" em geral foi submetido nas últimas décadas, no sentido de se ter filmes ou com ação (latu sensu, sempre tem que "acontecer" algo), com música pra incrementar, sem muita coisa "difícil" para se pensar depois do filme terminar, etecétera. Isso nem é teoria minha, muito se diz a respeito por aí.

A impressão que ficou para mim após a sessão só confirma a tese. Não achei nada de "difícil" no filme (nosso Bressane, para ficarmos em um exemplo, é mais "inacessível", e que fique claro que isto, para mim, não é um defeito).

Há muitos diálogos? Ótimo! E qual o problema nisso?! E são ótimos diálogos, diga-se de passagem e perdoem a repetição da palavra.

Se há uma "racionalização" de sentimentos (" 'desromantiza' até o amor" foi comentário que li após sua morte) deve-se pensar na dificuldade de se fazer isso com maestria. Talvez interessados em psicologia gostem ainda mais de Rohmer nesse sentido, já que tudo é discutido nos diálogos. E, repito, muito bem feito, muito bem construído o roteiro, que de "chato" não tem nada.Ao contrário, em "Conto de Outono" ele resulta, no fim das contas, em um delicioso filme, leve e bem humorado. Passadas as primeiras tomadas, os tais "diálogos excessivos" nem são mais tão reparados, tal o envolvimento a que chega o espectador. Vale anotar que o filme merecidamente ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza em 98.

A cena final, em que uma bandinha local toca em uma festa de casamento é um deleite a parte. Não sei se por conta dela, ou se o público do Cineclube HSBC é diferenciado, mas o fato é que mais de 90% dos presentes (e nem eram tão poucos!) só se levantaram quando o projetor foi desligado, após os créditos finais.

O negócio é mergulhar mesmo no restante da programação e descobrir outras preciosidades.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eric Rohmer


Não há como um cinéfilo não lamentar quando o ano começa assim, com a perda de um grande nome do cinema. Mesmo quem não aprecia o trabalho de Eric Rohmer deve reconhecer a importância do ex-crítico da Cahiers du Cinema.

Eu mesmo, não pensem o contrário, não conheço tanto assim seu trabalho. Mas é impossível não reconhecer sua importância conhecendo um mínimo da história do cinema. Não convém aqui ficar, como se diz, chovendo no molhado. Muito já foi dito por esses dias a respeito de sua morte. Um rápida pesquisa no Google e se chegará a um bom número de reportagens e comentários (recomendo a leitura do Bar 1211 e da Ilustrada no Cinema). Também há os que o classifiquem, de forma bastante simplista, apenas como "cineasta chato" (já vi comentários desse calibre por aí). Isso talvez se deva ao fato de Rohmer visar um "envolvimento intelectual" do espectador com seus filmes, e não um "envolvimento emocional".

Mas o que importa dizer é que, independente de gosto, o fato é que o nome de Eric Rohmer está inserido entre os grandes gênios do cinema. Coincidentemente, sua morte ocorre quando em cartaz duas boas mostras com alguns de seus filmess: no Cineclube do HSBC e no MUBE. Excelentes oportunidades pra conhecer ou se aprofundar na obra do cineasta.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Clipes do Balaio # 26 - 1/2 Dúzia de 3 ou 4 e sua Geyse

Manter este espaço, ainda que com cada vez mais raras inserções (não é fácil conciliar com o trabalho em área profissional sem nenhuma ligação com o universo da internet), já me possibilitou em mais de uma ocasião ter contato, inédito ou maior, com algo rapidamente adotado como objeto de predileção.
Foi assim com o Caipirinha Appreciation Society (cujo link encontra-se na barra lateral direita deste blog e merecerá uma postagem no futuro). E foi assim também com o inteligente som do "1/2 Dúzia de 3 ou 4" (muito bom o nome, diga-se de passagem).
Tomei contato com o trabalho desta trupe por ocasião do encerramento das atividades do saudoso Villagio Café, quando, ao escrever sobre a notícia, recebi a visita do 1/2 Dúzia.
O site da banda é muito bem feito e bastante ilustrativo do som que fazem, além da fina ironia e do inteligentíssimo humor. Se rasgo a seda é porque de fato fiquei fã dos caras.
É clara a influência da chamada Vanguarda Paulistana (há um "quê" de Itamar Assumpção, de Arrigo Barnabé e, é claro, de Grupo Rumo, de Premeditando o Breque e até de Joelho de Porco e Zé Rodrix) e da Tropicália e Tom Zé (dá-lhe Tom!), além de beber na fonte de Chico Buarque a André Abujamra e Maurício Pereira, entre tantos e tantos outros (todos os citados mais que cultuados por mim). É o que bastou para me fisgar.
Mas se já não bastasse, o "1/2 Dúzia de 3 ou 4" , mostra-se um grupo antenado.
Quer um exemplo?
Então antes de se aventurar no belo site da banda e de mergulhar no Myspace dos sujeitos, dê uma olhada no vídeo abaixo!
Apropriando-se do "Caso Geysi" fizeram uma letra pra lá de inteligente, com citação de "Geni e o Zepelin", focando a transformação da fulana de vítima em celebridade. O jogo de palavras no melhor estilo Luiz Tatit é sensacional ("Geysi em grená/Pra Geysi engrenar"). O vídeo então nem se fale! Para se ver várias vezes até conseguir caçar todos os detalhes. Desde Tom Zé de "pinguim de geladeira", até a figuraçao de ex-BBBs ao lado da aparecida do momento, passando pela escalada pelos logos das emissoras de TV.
Muito bom!
Confira:



PS: tem show do "1/2 Dúzia de 3 ou 4" na Praça Roosevelt, no próximo sábado, dia 19!

sábado, 7 de novembro de 2009

Anselmo

Acabo de ler a respeito da morte de Anselmo Duarte.
Não precisa ser profundo conhecedor da obra e vida dele para ficar triste pelo seu falecimento.
Basta saber, para ficarmos em um exemplo, que como diretor, seu filme "O Pagador de Promessas" levou a Palma de Ouro em Cannes em 1962, desbancando Luiz Buñuel e Michelangelo Antonioni. Um feito e tanto!
É o que basta para que se fique triste pela sua morte.

Acabou mas continua

"O Inferno de Clouzot" (França), de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea. Muito bom documentário sobre o filme inacabado de Henti-Georges Clouzot, "L'Enfer", superpordução para a época, com orçamento ilimitado liberado pelos produtores americanos. O documentário mostra todas as inovações tecnológicas buscadas, os ensaios técnicos com os atores, os primeiros meses de filmagens. Um documentário, a exemplo de "Belair", sobre o "fazer cinema". Aqui o enfoque é outro, até mesmo porque outras eram as condições de Clouzot, mais favoráveis em relação aos diretores brasileiros em plena ditadura. Mas guardadas as devidas proporções entre os documentários, lembra bem um ao outro. Muitas cenas do filme inacabado, cujo som fora perdido. Para solucionar a questão, e nos mostrar o enredo macabro do marido que enlouquece de ciúmes pela esposa jovem, o documentário insere diálogos em estúdio entre um casal de atores que lê o texto de Clouzot. Muito interessante!
"Voluntária Sexual" (Coreia do Sul), de Kyong-Duk Cho. Bem fraquinho. Mas serve para pensar os critérios da premiação da Mostra. Eu particularmente sou contra essa história de o público selecionar os finalistas. Dá nisso: filme sentimentaloide, meio esquizofrênico na montagem (há quem dirá que é inovador), péssimos atores (ou seria a direção de atores?). O argumento é muito bom: sobre os "voluntários sexuais", que têm como meta dar prazer sexual a deficientes. Mas só pela história um filme merece ganhar o prêmio? E se essa história for mal conduzida, como nesse roteiro coreano? Dentre os finalistas, eu havia visto somente o "Mau dia para pescar". Dentre os dois, o "Mau dia..." tem historia mais batida, é convencional, etc e tal. Talvez seja esse um dos motivos para o "Voluntária..." ter levado o prêmio máximo do festival. Desenvolverei mais sobre o longa coreano em breve.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Amor e o Horror

"Todos os Outros" (Alemanha), de Maren Ade. Belíssimo filme. Filme que conquista pelos detalhes. Personagens com uma profundidade riquíssima, interpretados com força pelo casal de atores. O conflito de personalidades entre eles, muito diferentes entre si mas ainda assim apaixonados um pelo outro, as inúmeras tentativas de se acertarem e as concessões mútuas, a adaptação ao outro, o se comunicar apenas com olhares e as sucessivas tensões no relacionamento. Cinema de atores com forte uso do gestual.
"A Ressurreição de Adam" (EUA, Alemanha, Israel), de Paul Schrader. O circo, o mágico, o palhaço, tudo em um só personagem, Adam Stein, mas que perde espaço para o terror. O horror da guerra, do antisemitismo, que aos poucos toma de assalto a vida dos judeus alemães. Horror que deixa suas marcas para além do fim da guerra, marcas muito mais profundas que os números tatuados nos braços. Filme pesadíssimo, sombrio, ambientado em um manicômio para judeus sobreviventes do holocausto. Some a isso os flasbacks do terror vivido pelo protagonista, que além de ter sido obrigado a tocar violino enquanto acompanhava sua família conduzida aos fornos do campo de concentração, ainda era obrigado, para sobreviver, viver como se um cachorro fosse (literalmente). Tudo isso contado de forma muito inteligente, fugindo do melodrama tradicional em filmes que retratam o holocausto. Filme sombrio sim, mas de uma força ímpar. Excelente roteiro e direção, além de interpretações impecáveis. É preparar a alma e encarar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Belair, Eça por Manoel e Cinema Marginal.

"Belair" (Brasil), de Noa Bressane e Bruno Safadi. Documentário sobre a produtora Belair, de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, de existência reduzida a poucos meses de 1970. Na verdade é um documentário sobre a paixão de fazer cinema, sobre a preocupação de pensar cinema como arte e filosofia, em uma época em que pensar demais era sinônimo de ser subversivo. Bom trabalho com imagens de arquivo, montagem adequada e fotografia das filmagens contemporâneas de beleza ímpar. Destaque para o plano sequência de "Sem Essa Aranha", participação especialíssima de Luiz Gonzaga e protagonizado por Zé Bonitinho e Helena Ignez. Imperdível!
"Singularidades de Uma Rapariga Loura" (Portugal, França, Espanha), de Manoel de Oliveira. União de mestres. Conto de Eça de Queiroz filmado por Manoes de Oliveira. O resultado não poderia ser outro. Filme deliciosíssimo de ser visto. Outro imperdível!!!!
"Caveira My Friend" (Brasil), de Álvaro Guimarães. É "ferro na boneca" porque "o mundo é mágico, bixo"! Cinema marginal brasileiro dos anos 70. Extremamente experimental, portanto. Para estudiosos e/ou curiosos sobre a história do cinema brasileiro, não pode deixar de ser visto. Destaque para a participaçao de Baby do Brasil (então Consuelo), além da trilha by Novos Baianos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Reta final

Se ajudar na escolha do que ver nesta última semana de Mostra, aí vão algumas impressões:

"Os Famosos e os Duendes da Morte" (Brasil/França), de Esmir Filho: me irritou um pouco por ser excessivamente pretensioso. Muita "xaropada" travestida de inovação, dá um ar de videoinstalaçao (das fracas) ao filme, além de ser um filme barulhento. Alguns clipes horrendos que agradarão apenas àqueles que acham "Teatro Mágico" o máximo. Se fosse mais simples e menos pretensioso chegaria a melhor termo, já que possui algumas sequencias muito bacanas, além de ser bem filmado - a produção é impecável.
"Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo" (Brasil), de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Lindo, lindo, lindo!!!!! Texto preciosíssimo! Mais um filme que explora uma certa documentação em meio à parte ficcional, mas aqui feita com maestria. Lembra Jia Zhang-Ke sem que pareça cópia barata. Imperdível, para ser visto mais de uma vez!
"London River" (Reino Unido, França, Argélia), de Rachid Bouchareb. Filme bem bacana. Exemplo de simplicidade com bons resultadas. Apesar de meio quadradão no formato, um tanto sessão "Supercine", o tema e os bons atores mantêm o interesse na história, que passa rápido apesar de eventual sono que pode já começar a dominar o cinéfilo a esta altura da maratona da Mostra.
"Samson e Delilah" (Austrália), de Warwick Thornton. Apesar de altos e baixos, e de algumas opções um tanto apelativas no pior estilo "Quero ser um Milionário", o candidato da Austrália a uma indicação ao Oscar 2010 é um filme interessante, principalmente pelo foco na aridez e a sujeira a que estão condenados os marginalizados descendentes aborígenes na Austrália moderna. Destaque para direção de atores, que soube extrair delicadeza da dupla de protagonistas, que falam muito sem nada dizer. Para os brasileiros fica ainda a curiosidade em se ouvir a versão em espanhol de "Talismã", de Sullivan e Massadas - sucesso de Leandro e Leonardo -, como um dos temas principais do longa.
"Eles Não Usam Black-Tie" (Brasil), de Leon Hirszman. Uma pena que esse lindíssimo filme não seja prestigiado. Em sessão única na sala 2 do Unibanco Arteplex, menos de 30 pessoas presentes. O ganhador do Festival de Veneza em 1981 foi restaurado pela Cinemateca, ganhou surpreendente brilho novo (parece ter sido feito ontem) e traz um elenco impecável - entre outros os saudosos Francisco Milani e Gianfrancesco Guarnieri. Filme lindíssimo, tem ainda como diretor musical Radamés Gnatalli e música tema composta por Adoniran Barbosa. Filmaço pra terminar bem a maratona do dia!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Do Azerbaijão ao Brasil, passando por Irã e Rússia

"A 40ª Porta" (Azerbaijão), de Elchin Musaoglu. Curioso. E apenas isso. A curiosidade vem de se ver algo de um país sem tradição alguma no cinema. Começa ruim, melhora, piora, e quando dá a impressão que vai melhorar de vez (com a história do menino que gostaria de mudar de vida tocando um instrumento de percussão), o filme acaba.
"Ninguém Sabe dos Gatos Persas" (Irã), de Bahman Ghobadi. Excelente. Em um país fundamentalista onde álcool e rock são crimes gravíssimos, o diretor vai atrás da cena musical underground em Teerã. Bandas que precisam se esconder para ensaiar. País onde ser músico é ser subversivo. Bastante documental e com forte influência pop - que se evidencia nos momentos de vídeoclipes durante os ensaios das bandas visitadas -é uma das preciosidades que não podem deixar de serem vistas nesta edição da Mostra.
"Enfermaria Número 6" (Rússia), de Karen Chakhnazarov. Indicado ao Oscar pela Rússia. Baseado em conto de Tchecov. O conto deve ser bom, já que a história é muito boa! O filme não é. Meus primeiros cochilos desta Mostra. Fuja!
"Os Inquilinos" (Brasil), de Sérgio Bianchi. O filme atinge o que pretende e é muito bem conduzido. Mas só vale pelos aspectos técnicos, o que, convenhamos, não pode ser a única coisa a ser buscada no cinema. Mais do mesmo - outro "filme de miséria", mas sem a genialidade de um "Linha de Passe" -, com atores medianos. Não gostei.

domingo, 1 de novembro de 2009

E mais estes...

"O Que Resta do Tempo" (França, Palestina), de Elia Suleiman. Filme autobiográfico sobre a difícil convivência entre israelenses e palestinos. Muitíssimo bem filmado: cores, enquadramentos! Muito bom!
"Insolação" (Brasil), de Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Excelente! E deve agradar mais a quem é fã da Sutil Cia. de Teatro. A linguagem teatral é evidente no primeiro longa de Hirsch. Elenco monstruosamente ótimo, filme com poesia do começo ao fim. Da aridez dos temas dos contos russos que lhe serviram de inspiração, extrai-se a delicadeza dos sentimentos: tristeza, amor.
"A Town Called Panic" (Bélgica, França, Luxemburgo), de Stéphane Aubier e Vincent Patar. Os brinquedos têm vida! Divertidíssimo!!! Colorido e história psicodélicos e surreais!
"O Fantástico Sr. Raposo" (EUA), de Wes Anderson. Do mesmo diretor de "A Vida Marinha de Stevie Zissou" e "Viagem à Darjeeling", não poderia ser diferente: outro filme divertidíssimo. Ou melhor: animação divertidíssima! Os bichos são protagonistas, falam e tudo mais? OK, mas mantêm seus instintos selvagens! Grandes sacadas, desenho pra gente grande!
"Rock Brasileiro - História em Imagens" (Brasil), de Bernardo Palmeiro. Feito como projeto para distribuição em escolas, é bastante didático. Documentário correto, com a profundidade possível para uma história de 50 anos de rock nacional contada em 67 minutos.
"O Dia da Transa" (EUA), de Lynn Shelton. Pretende ser comédia mas se leva a sério demais. Inverossímel em muitos pontos, a história caberia melhor em uma comédia menos "cabeça", menos "independente". Não gostei.
"Tom Zé Astronauta Libertado" (Espanha), de Ígor Iglesias Gonzales. Muito bom! Um bom recorte da genialidade do performático compositor precursor do sampler. Filme delicioso de ser visto.
"Dente Canino" (Grécia), de Yorgos Lanthimos. S E N S A C I O N A L !!! Inventivo ao extremo. Assustador se dar conta de que a história da família isolada do mundo, cujas crianças são educadas (educadas?!?!) de modo a desconhecerem totalmente o que há depois do muro da casa onde vivem, é verossímil.
"Perseguição" (França), de Patrice Chéreau. Chatíssimo!!!! Blablablá a serviço de absolutamente nada!
"O Pequeno Burguês - Filosofia de Vida" (Brasil), de Edu Mansur e Marco Mazzola. Documentário sobre Martinho da Vila. Documentário "raso". Uma grande figura em um "Especial" para TV.
"Mau Dia Para Pescar" (Uruguai, Espanha), de Alvaro Brechner. Muito Bom!!! Direção de arte impecável, produção luxuosa, história muito bem contada!

sábado, 31 de outubro de 2009

Mais da Mostra: do grotesco ao sublime, do essencial ao dispensável

Algumas impressões sobre a Mostra, que entra em sua última semana.
"À Procura de Eric" (Inglaterra), de Ken Loach: Muito divertido e singel. Vale a pena ser visto. Tem previsão de lançamento comercial no dia 06.11, segundo a FSP.
"Alga Doce" (Polônia), de Andrzej Wajda: muito belo, mas aproveita mais quem já vai sabendo do que se trata: mistura da realidade da atriz, que perdeu o marido recentemente (fotógrafo do diretor), com a historia da personagem principal da parte ficcional, que também lida com a morte de seus dois filhos na guerra. Belíssimas imagens e textos.
"Hotel Atlântico" (Brasil), de Suzana Amaral: espécie de road movie brasileiro, o personagem principal vai encontrando em seu caminho diversos tipos. É o que mantém o filme atraente. Gero Camilo, João Miguel e Mariana Ximenes como sempre em ótimas interpretações.
"Aconteceu em Woodstock" (EUA), de Ang Lee: Muito bom! Em meio ao caos colorido de Woodstock Ang Lee consegue focar em apenas um personagem, e o acompanha com sua câmera em meio ao labirinto humano e psicodélico de uma época de libertações. Estreia prevista para 13.11
"O Primata" (Suécia), de Jesper Ganslandt: ótima ideia jogada no lixo. O dia de um assassino, acompanhado de perto pela câmera. Ideia boa, mas filme muito chato.
"Katalyn Varga" (Hungria, Rômênia), de Peter Strickland: bela surpresa. Fotografia linda, um tanto medieval (embora não seja filme de época), história boa, boa direção. Filme muito bom, pra compensar a porcaria vista antes ("O Primata").
"Alô, Alô, Terezinha" (Brasil), de Nelson Hoineff: muito ruim e grotesco, se pretende como extensão dos programas do Velho Guerreiro mas consegue no máximo ser um Ratinho, com algumas pitadas de Luciana Gimenez. E joga no lixo a ideia de se fazer um documentário sobre um ícone da TV.
"Corações em Conflito" (Suécia, Dinamarca, Alemanha), de Lukas Moodysoon: produção globalizada com Gael Garcia Bernal como protagonista. Gostou? Não se iluda: o filme é conservador e extremamente piegas. Há bons momentos, principalmente quando a câmera deixa de lado as lições de moral que pretende dar ao espectador e foca nos conflitos de seus personagens. Mas não salva o longa.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"À Procura de Elly" (Irã), de Asghar Farhadi


Concorrente do Irã a uma vaga no Oscar 2010, não me chamou muita atenção não esse "À Procura de Elly". E olha que tem lá seus pontos positivos. O primeiro deles: esqueça o estilão iraniando de filmes! Trata-se de um "filme de mistério". Se bem que ao mesmo tempo que é uma vantagem, pela curiosidade que tal fato possa despertar em se tratando de um filme iraniano, é também uma desavantagem, ao fugir do que o cinema de lá sabe fazer melhor.

O diretor, Asghar Farhadi, sabe prender a atenção, mas se utilizou neste longa de alguns subterfúgios que achei um tanto artificiais. Se dão resultado durante parte da trama, depois de um tempo já não surtem o mesmo efeito.

Elly é convidada por um grupo de pessoas que vão passar um fim de semana em uma casa de praia. É professora de uma das crianças e será apresentada a um dos solteiros. Assim como os ocupantes da casa, nós também pouco sabemos sobre a personagem que dá nome ao filme. Quase nada além de seu primeiro nome – apelido, na verdade – e do porquê de ter sido convidada.
Uma das crianças quase se afoga e Elly some. O restante do filme gira em torno de se saber o que aconteceu com ela. Teria se afogado tentando salvar o menino? Sabemos não muito adiante que ela tem um noivo. Apesar de insatisfeita com o noivado, não conseguia terminar o relacionamento. Teria então se matado no mar? A cena que antecede seu sumiço nada diz: Elly brincando de pipa com as crianças, nitidamente feliz. As crianças com quem ela brincava saberem explicar absolutamente nada, tudo a serviço de criar um “mistério” para a trama. O fim do filme também só serve para criar um final parcialemente aberto (sabemos do fim da personagem, mas não de como chegou a ele). Mas assim como os demais personagens que tocam suas vidas, chega a ser inútil saber exatamente o que aconteceu com a personagem, que não envolve o espectador antes de seu sumiço. Se pelo modo "A" ou "B" não importa muito no fim das contas. Não é filme ruim – prende a atenção, e relativamente bem, como já dito -, mas não é imprescindível.

Conversando com um desconhecido em uma sessao qualquer da Mostra, fico sabendo que ele gostou por mostrar como cada pessoa reage diferente diante da situação: uns mais egoístas, outros apreensivos. Ok. Mas nada novo, não? E sem grandes profundidades. Sei lá. Vai ver eu que ando chato demais mesmo.

Tô fora, tô dentro

Tentei garantir ingresso para a sessão de sábado para "Seguindo em frente". Ingressos destinados à troca antecipada: esgotados. Para não me ver no perrengue de enfrentar fila no dia, já na abertura da bilheteria (não estou certo disso, mas até onde sei há uma reserva de ingressos para venda no dia, destinados ao público não credenciado e aos credenciados sem ingresso antecipado), optei por ver o uruguaio aspirante ao Oscar 2010: "Mau dia para pescar". Fico sabendo agora pelo Cinemadicto, blog de meu amigo Roger Tahira (e que todo ano faz uma cobertura exemplar dos filmes da Mostra) que a película deixa a desejar. Agora já foi. Torcer então para ter melhor impressão que a dele.
Melhor sorte para as sessões desta sexta. Fica a dica para o documentário "Rock Brasileiro - história em imagens". Soube do filme diretamente de sua roteirista, Kika Serra. Explico. A moça é corresponsável, ao lado de MdC Suingue, pelo site Caipirinha Appreciation Society, programa de rádio online gravado no RJ para a Universidade de Londres. Sou ouvinte constante da dupla e por facebook foi que soube do doc. A princípio seria distribuído apenas para bilbiotecas de escolas. Foi exibido no Festival do Rio e agora o filme desembarca nas salas da Mostra. Nas palavras de Kika, embora a "encomenda" fosse para ser algo mais didático, "conseguiram contrabandear algumas discussões bacanas para o longa". É conferir então.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Comentários rápidos e rasteiros

MARADONA (ESPANHA/FRANÇA), de Emir Kusturika

Deve ser visto com algumas concessões. Kusturica não esconde a "babação" por Dieguito e isso fica claro desde o início, quando o descreve como Sex Pistols e Deus do futebol. Mas também não esconde do espectador os deslizes da vida do jogador. Alguns escorregões do filme, como o excesso de referências pop logo no início, não retiram dele a qualidade final. O resultado é realmente bom! A montagem é excelente. Prova disso é a aparição, decorrer de todo o documentário, de explicações sobre a doutrina e os rituais da Igreja Maradoniana. Grandes momentos de humor! Kusturica também absolve Maradona quanto ao famoso gol de mão na Copa de 86, ao lhe dar uma conotação política, como sucedâneo da Guerra das Malvinas (vale lembrar que o gol foi marcado no jogo contra a Inglaterra, com quem a Argentina se envolveu no conflito no início dos anos 80). Ótimo filme, de leveza ímpar, com bons momentos de emoção, como no diálogo sobre as filhas. Vale o ingresso. o Balaio recomenda! (ps: era para ser comentário mais curto, mas me empolguei)


POLÍCIA, ADJETIVO (ROMÊNIA), de Corneliu Porumboiu

Outro que vale o ingresso. Início um tanto cansativo. Muita coisa acontece, mas em silêncio. Ao contrário do longa anterior do romeno, "À Leste de Bucareste", neste os diálogos são mais escassos, ao menos no início. Em vez disso, vemos apenas o trabalho de um policial em sua rotina de vigilância a um grupo de adolescentes, com vistas a dar o flagrante por tráfico de drogas. Quando os diálogos aparecem, no entanto, o filme ganha em ritmo e humor. Humor que não esconde os temas centrais: uma reflexão sobre o papel da polícia, o rigor da lei, a questão da punição do usuário de drogas, etc. Destaque para os diálogos entre o protagonista e sua esposa, sobre a língua romena, e entre ele e seu chefe, esta última verdadeiro debate filosófico a partir da definição dos temas debatidos (consciência, moral, lei, polícia) retirada do dicionário. Veja!

MOTHER (COREIA DO SUL), de Bong Joon-Ho

Concorrente coreano a uma das indicações ao Oscar deste ano. Ao acompanhar o drama de uma mãe disposta a tudo para livrar o filho doente mental da condenação por assassinato, o filme impressiona pela forma de contar uma história envolvente e com boas reviravoltas. Uma sopa de gêneros, do drama e do policial ao bizarro e grotesco, passando pela comédia (predomintante em todo o filme). O tom de comédia e algumas bizarrices- como a do casal que transa soletrando pratos italianos - parecem ser a tônica do cinema atual coreano (ao menos dos que tenho visto). Ótimas tomadas também contribuem para fazer deste um bom filme. Também pode ser visto sem medo de se perder o ingresso! O Balaio recomenda!!

AMEREEKA (EUA, CANADÁ, KUAIT), de Cherien Dabis

O mais fraco até agora, pode ser deixado de lado sem o receio de se estar perdendo um grande filme. Está longe de sê-lo. Sobram clichês sobre imigrantes nos EUA, sobre os conflitos no Oriente Médio, o preconceito dentro do território americano. Alguns bons diálogos e a discussão dos temas fazem com que o filme tenha bons momentos. Por isso não é de todo fraco, mas não é imprescindível.

sábado, 24 de outubro de 2009

Primeiro dia

Apenas algumas breves linhas sobre os primeiros filmes da Mostra (até porque é o que "cabe" fazer por ora: cheguei em casa duas da manhã, fui dormir às 3, acordei à 9h40 e daqui a pouco, 12h, já tem sessão de "Maradona").

SEDE DE SANGUE: Muito bom! talvez cause estranhamento aos olhos do público em geral, mas nem tanto aos dos cinéfilos da Mostra. Não atinge a excelência de "Oldboy", longa anterior do mesmo diretor, mas consegue ser ainda mais inventivo. Neste predomina o tom hilariante das situações cômicas, ainda que sob o pretexto de "terror". Poderia ser um pouco mais curto, ter reduzida uma ou outra sequência, mas ainda assim vale conferir. Merecido o Prêmio do Júri em Cannes 2009 (a exemplo do que já aconteceu com "Oldboy" em 2004). Veja!!








A FITA BRANCA: Não há uma única imagem ou diálogo sobrando no roteiro. Jogo bastante intricado de significantes. As metáforas pululam, embora sutilmente e praticamente imperceptíveis. Filme sobre o convívio humano. o Ser humano é - se apropriando da parte da fala de uma das personagens - é o lugar por excelência da maldade, inveja, ignorância e brutalidade. Da hipocrisia também, pode ser acrescentado. Tudo a conduzir à guerra, sob o pretexto de vingança. Há espaço para a esperança, representada pela criança que cuida do pássaro ferido. A pureza de seu ato prescinde da fita branca que seu irmão carrega a mando do pai com o intuito de que se lembre de ter uma conduta pura. Não é um filme fácil, mas maravilhoso. O Balaio indica. Corra ver!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Clipes do Balaio # 25 - Viva o Mestre Ataulfo!!

"Gosto de Maria Rosa mas quem me dá prosa é a Rosa Maria"...
Verso singelo de Laranja Madura, do Mestre Ataulfo Alves, que tem nos proximos finais de semana shows em homenagem ao centenário de seu nascimento, como já comentado aqui. Neste "Clipes da Semana", muito bem defendida no recém extinto Villaggio Café por Chico Teixeira, do Clube Caiubi de Compositores. Apenas uma ressalva quanto ao vídeo: do falatório pós apresentação, só a primeira parte se aproveita quanto ao tema. Mas enfim, a execução em si da música salva o vídeo.
Mas antes desse vídeo, uma preciosidade histórica: Orlando Silva dando uma pequena explicação sobre Atire a Primeira Pedra, parceria de sucesso entre Ataulfo e Mário Lago. A palhinha que se segue é maravilhosa! Também executando o clássico, o trio Revista do Samba. "Perdão foi feito pra gente pedir"!
Meu Lamento é a canção seguinte, interpretada pela banda Dona Zica. Banda que tem entre suas cantoras Anelis Assumpção, uma das atrações do CCSP.
Finalizando com "chave de diamante", o próprio Ataulfo em cena. Literalmente. Em aparição elegante no filme "Meus Amores no Rio" (1959), de Carlos Hugo Cheistensen. No começo da cena, ele canta Vida de Minha Vida. Depois emenda o também clássico Pois É.
"Mulher a gente encontra em toda parte/Mas não se encontra a mulher que a gente tem no coração"! Pois é!!





quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Clipes do Balaio # 24 - Gainsbourg Imperial

"Johnny (Jane Birkin) é uma garçonete que trabalha em uma lanchonete de beira de estrada, onde vive solitária e carente. Ela começa a se interessar pelo caminhoneiro Krassky (Joe Dallesandro), apesar dos alertas de seu chefe, Boris (René Kolldehoff), em relação à homossexualidade do rapaz. O fato é que, talvez por causa da aparência masculina de Johnny, Krassky também começa a se interessar pela garçonete, o que atiça o ciúme de Padovan (Hugues Quester), namorado do caminhoneiro."
Esta é a sinopse de "Paixão Selvagem", título em português de "Je T'aime Moi Non Plus", longa de 1976 do multitalentoso Serge Gainsbourg. Transgressor e marginal, como o próprio diretor. A canção título do filme embalava os amassos entre casais mundo afora nos anos 70 e foi proibida pela censura do regime militar brasileiro, que a considerou atentatória à moral e aos bons costumes já que Serge Gainsbourg, cantor e compositor desse e de inúmeros outros sucessos, e sua mulher, Jane Birkin, mais gemiam do que cantavam, como em plena relação sexual. Por essas e outras, Serge Gainsbourg ficou conhecido como "Rei da Canção Erótica".
O SESC/SP, dentro do "Ano da França no Brasil", dedicou ao artista, desde 05.06 e até o próximo dia 07.09, a exposição "Gainsbourg - Artista, Cantor, Poeta, Etc...", na unidade da Avenida Paulista.
Um dos mais importantes artistas do século XX é apresentado ao visitante por meio de totens audiovisuais - com fotografias, vídeos e textos - divididos em 4 fases da vida e carreira de Gainsbourg. O ínicio como artista plástico - "pintor maldito" -, pianista de bar, o flerte com o jazz e o blues, o trabalho como compositor de "hits" e como diretor artístico de ídolos franceses no final dos anos 60, e os sucessivos escândalos. Os primeiros já foram mencionados: a canção "Je T'aime Moi Non Plus" de 1969 e o filme homônimo de 1976. Seguiram-se a esses o "caso da Marselhesa", de 1979, em que ele chocou a França ao demonstrar sua aproximação com a cultura rastafari, interpretando o hino francês em versão reggae. Se não bastasse tudo isso, ainda dirigiu outros filmes, trabalhou com publicidade, publicou um romance decadente e um livro de fotos eróticas. De fato, ícone da contracultura!
Fechando a exposição, em grande estilo, o SESC patrocina hoje e amanhã o show "Gainsbourg Imperial", com ingressos para os dois dias esgotados em poucos minutos.
No palco, a Orquestra Imperial executará os principais sucessos de Gainsbourg na companhia do arranjador Jean-Claude Vannier, parceiro histórico do homenageado, além de sua musa Jane Birkin e de Caetano Veloso. Já dá até para se empolgar (para ser comedido) imaginando Jane, Nina Becker e Thalma de Freitas gemendo juntas na execução de "Je T'aime..."!!! Imperdível mesmo! Melhor que isso só se a filha de Serge e Jane, Charlotte Gainsbourg (atualmente em cartaz na telona em "Anticristo", de Lars von Trier) também estivesse presente.
Mas sem mais ladainhas.
Aos clipes da semana, evidentemente em homenagem ao pervertido (graças a Baco!).
São inúmeros os vídeos disponíveis na internet. Aqui apenas alguns, mais representativos dessas diversas faces do compositor, do erótico ao pop, passando pelo jazz e pelo blues. Evidentemente não poderia faltar Je T'Aime Moi Non Plus, que abre esta série especial - resisti a tentação de inserir trecho do longa, mas não a de colocar aqui um link, impróprio para menores! -. Já que o sujeito é o "Rei da Música Erótica", seguimos com Sea, Sex and Sun, não propriamente em vídeo, mas com slides do cantor. Após, acompanhado tão somente de seu inseparável cigarro em La Javainese e a curiosa história do picotador de bilhete de trem em Les Poinçonneur des Lilas, onde a imagem também vai se picotando (para ver a versão mais antiga, a original de 1958, clique aqui). A pop The Initials BB, homenagem a Brigite Bardot após o fim do relacionamento. Flertando com o blues no início da carreira, Le Claqueur de Doigts, contrastando com a belíssima La Chanson de Prevert - cuja sonoridade lembra um pouco os filmes de faroeste -. Rodeado de bailarinas em Monsieur William e Elisa (clique aqui para ver outra versão de Elisa, com Jane Birkin). Na sequência, flertando agora com o yeah-yeah-yeah, a roqueira Qui Est In, Qui Est Out. Por fim, a jazzística instrumental All The Things You Are.




















quarta-feira, 2 de setembro de 2009

É TUDO VERDADE - Parte 2

Pela primeira vez desde que foi concebido em 1996 pelo crítico Amir Labaki, o festival de documentários "É Tudo Verdade" foi dividido em duas partes. A primeira teve lugar no primeiro semestre, com as mostras competitivas. Desde ontem e até o dia 07.09, sempre com exibições na Cinemateca, as Mostras Especiais é que terão vez. São três as mostras especiais: "O Estado das Coisas", "50 Anos de Arraial do Cabo - Homenagem a Saraceni" e "Retrospectiva Louis Malle Documentarista".
Abaixo, a programação completa dos dias restantes. Sinopses completas nos sites da Cinemateca e da organizaçao do evento.

02.09 quarta
14h30 CARTAS AO PRESIDENTE
16h30 ARRAIAL DO CABO ETNOGRAFIA DA AMIZADE
18h30 ÍNDIA FANTASMA – EPISÓDIOS 1 E 7
20h30 FORDLÂNDIA

03.09 quinta
14h30 A RAINHA E EU
16h30 FORDLÂNDIA
18h30 PLACE DE LA REPUBLIQUE
20h30 OLHOS BEM ABERTOS

04.09 sexta
14h30 ECOS
16h30 OLHOS BEM ABERTOS
18h30 O PAÍS DE DEUS
20h30 UM PRESIDENTE A LEMBRAR – NA COMPANHIA DE JOHN F. KENNEDY

05.09 sábado
14h30 CARTAS AO PRESIDENTE
16h30 UM POVO NAS SOMBRAS
18h30 AND THE PURSUIT OF HAPPINESS
20h30 A RAINHA E EU

06.09 domingo
14h30 UM PRESIDENTE A LEMBRAR – NA COMPANHIA DE JOHN F. KENNEDY
16h30 CAPTURANDO A REALIDADE: A ARTE DO DOCUMENTÁRIO
18h30 ARRAIAL DO CABO DEBATE
20h30 VIVE LE TOUR HUMANO, DEMASIADAMENTE HUMANO

07.09 segunda
14h30 ÍNDIA FANTASMA – EPISÓDIOS 1 E 7
16h30 PLACE DE LA REPUBLIQUE
18h30 O PAÍS DE DEUS
20h30 AND THE PURSUIT OF HAPPINESS