sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Minha homenagem

Em homenagem a "Aquele querido mês de agosto", ganhador do prêmio da crítica, insiro um linkizinho aqui e aqui! (estão na trilha do filme!!!). E "aperta, aperta com ela"!!!!

Depois do Che, TP4!!!


Depois do Che tem Trash Pour 4 no Studio SP!!!
Vamoaí?
Recém chegado de turnê por Europa e Japão, TP4 é:
Mariá Portugal (minha musa da bateria, aiai): a baterista estuda percussão desde os 9 anos de idade. Também participa da Dona Zica (banda composta por, entre outros integrantes, Anelis Assumpção, filha de Itamar), é integrante da banda que acompanha a atual turnê solo de Fernanda Takai, e é co-produtora do disco de Natália Mallo. Recém graduada em Regência pela UNESP, é também muito boa escritora, como pode ser conferido em seus blogs "DO SAPATO AO ELEFANTE", "DO PIANO AO FORTE" e no coletivo "133 DÍGITOS".
Dudu Tsuda: (teclados): integra também as bandas Jumbo Elektro e Cérebro Eletrônico. Também participa do blog coletivo "133 dítigos". Também acompanha o Pato Fu e Fernanda Takai.
Gustavo Ruiz (violão e guitarra): participa do Dona Zica e da Banda Glória, além de tocar com outros nomes da nova MPB, como Maryana Aidar e Junio Barreto.
Natália Mallo (baixo e voz): a argentina está à frente da banda de tango "Gato Negro" e recém lançou seu primeiro disco solo, que co-produziu com Mariá Portugal.
No repertório da banda estão canções de Burt Bacharat, A-há, Chico Buarque, Dorival Caymmi, e até mesmo Madona e Michael Jackson, sempre com arranjos pra lá de deliciosamente insusitados. Menção honrosa para a interpretação de Lithium, de Curt Cobain (Nirvana), interpretada pela belíssima Mariá Portugal, em versão “chorinho”.


IL DIVO

Grande filme o "Il Divo", de Paolo Sorrentino (co-produção ítalo-francesa).

O longa retrata Giulio Andreotti, senador vitalício italiano, por sete vezes primeiro-ministro, homem extremamente cínico e irônico e com grande influência política. Uma espécie de Paulo Maluf italiano que se deu melhor, muito mais poderoso e, portanto, perigoso.

Ótimo filme sobre a política italiana, especialmente a dos anos 90, que coincidiu com a guerra à Máfia e seus contra-ataques.

O ator Toni Sevillo, em incrível transformação, está impecável no papel.


Mas um grande porém: muitas informações em um filme político tendem a cansar. Nesse caso, ainda há o agravante de tratar de minúcias não conhecidas pelos brasileiros. Apesar do humor do filme (humor negro rasgado, excelente charge do político retratado), é difícil de ser assimilado justamente em função do excesso de informações.


Por vezes fica-se "perdido" no roteiro.


Para quem quiser conferir, e conhecer a história recente italiana, haverá exibição extra nesta sexta-feira, dia 31, às 22:30, no Cinebombril.


Eu, particularmente, tentarei entrar na sessão de Che!

BINGO!

Acabo de chegar do Sesc Pinheiros, onde fui acompanhar a cerimônia de encerramento da Mostra.

Fiquei muito contente com o prêmio da Crítica, dado ao meu preferido também: "Aquele querido mês de agosto".

Veja a lista completa aqui.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

BODE REI, CABRA RAINHA


Para mim é surpresa que o filme "BODE REI, CABRA RAINHA", de Helena Tassara, esteja na semana dos melhores.

Não que o documentário seja ruim. Não é. Bem feito. Mas não foi dos que mais me chamaram a atenção.
Fui assistir a esse filme atraído pela trilha, de Fabio Tagliaferri, e pelos depoimentos de Zeca Baleiro e Ariano Suassuna, e é sempre bom ouvir Suassuna. E fui também porque ele antecedia o filme "Erva do Rato", de Bressane, na mesma sala.
Pois bem. O documentário é muito bem conduzido. Trata bem do tema, explanando a importância da pecuária caprina para o Nordeste. A culinária com o bichinho também tá lá, e confesso que deu até vontade de provar a tal buchada! Mostra também a forte presença do bicho na literatura nacional, especialmete a sertaneja, de forma bastante poética, é necessário dizer. O carinho dos donos pelos bichinhos também é interessante (e os nomes dados ao rebanho então?!).
Mas, apesar de tudo isso, para mim soou muito mais como uma reportagem educativa. Das boas, mas não atraente do ponto de vista cinematográfico. O melhor depoimento é o de Suassuna, que, junto com seu primo, é um dos maiores produtores de cabras. Globo Rural total! Mas fica-se sabendo das quatro principais raças caprinas existentes no Brasil!
Os curtas que antecedem a exibição também não são lá geniais, mas há boas surpresas. São 4: "Na companhia do pó" (tosco), "Interpersonalidade" (esse sim muito bom), "Wunderkammer" (de algum interesse). O quarto, não consta no catálogo da Mostra e, portanto, não sei dizer o nome (não lembro). Mas era "engraçadinho", sátira sobre a onda de personalidades que andaram adotando crianças africanas.
A menos que você tenha grande interesse pelo tema, ou prefira já ficar na sala para ver o magnífico "Aquele querido mês de agosto", que passa logo em seguida, prefira outra programação.

Programação extra

No site oficial da Mostra ainda não consta, mas a organização já divulgou a programação extra até o domingo por enquanto.

Ei-la (segundo o site de notícias G1):

Sexta (31)
CINEMATECA - SALA PETROBRAS
14h – “Crise”, de Ingmar Bergman (Suécia)
15h50 – “Prisão”, de Ingmar Bergman (Suécia)
17h30 – “Sede de paixões”, de Ingmar Bergman (Suécia)
19h10 – “Música na noite”, de Ingmar Bergman (Suécia)
21h – “A hora do lobo”, de Ingmar Bergman (Suécia)

CINE BOMBRIL 1
14h – “As lágrimas de minha mãe”, de Alejandro Cardenas Amelio (Alemanha)
15h50 – “Bode rei, cabra rainha” (Brasil), de Helena Tassara + Curtas
18h – “Aquele querido mês de agosto” (Portugal), de Miguel Gomes
20h50 – “Maldeamores”, de Carlitos Ruiz Ruiz, Mariem Perez Riera (Porto Rico)
22h30 – “Il divo”, de Paolo Sorrentino (Itália/França)

CINESESC

14h – “Trato é trato”, de Jonathan Gershfield (Reino Unido)
16h – “Absurdistan”, de Veit Helmer (Alemanha)
18h10 – “Che”, de Steven Soderbergh (EUA/Espanha/França)


Sábado (1º)
CINEMATECA - SALA BNDES
14h – “Fuera de carta”, de Nacho Velilla (Espanha)
16h10 – “KFZ-1348”, de de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso (Brasil)
17h50 – “Of all the things”, de Jody Lambert (EUA)
19h30 – “Só dez por cento é mentira”, de Pedro Cezar (Brasil)
21h10 – “Machan”, de Uberto Pasolini (Sri Lanka/Itália/Alemanha)

CINEMATECA - SALA PETROBRAS
14h – “Conhecendo Andrei Tarkovsky”, de Dmitry Trakovsky (EUA/Suécia/Rússia/Itália) 15h50 – “No limiar da vida”, de Ingmar Bergman (Suécia)
17h30 – “Quando as mulheres esperam”, de Ingmar Bergman (Suécia)
19h40 – “Fanny e Alexander”, de Ingmar Bergman (Suécia/França/Alemanha)

CINE BOMBRIL 1
14h – “Estranhos”, de Erez Tadmor e Guy Nattiv (Israel)
15h40 – “Formidável”, de Dominique Standaert (Bélgica)
17h30 – “Mais sapatos”, de Lee Kazimir (EUA)
19h – “Gomorra”, de Matteo Garrone (Itália)
21h30 – “Loki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle (Brasil)
23h50 – “Titãs, a vida até parece uma festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves (Brasil)

CINESESC
14h - “Mais tarde você entenderá”, de Amos Gitai (França)
15h50 – “La Boheme”, de Robert Dornhelm (Áustria)
18h – “Fumando espero”, de Adriana Dutra (Brasil)
20h – “El regalo de la Pachamama”, de Toshifumi Matsushita (Bolívia/Japão)
22h – “Jodhaa Akbar”, de Ashutosh Gowariker (Índia)


Domingo (2)

CINEMATECA - SALA BNDES
14h – “Recurso intangível número 82”, de Emma Franz (Austrália)
15h50 – “Harrison Montgomery”, de Daniel Dávila (EUA)
17h50 – “Crianças da pira”, de Rajesh S. Jala (Índia)
19h20 – “Tulpan”, de Sergey Dvortsevoy (Alemanha/Suíça/Cazaquistão/Rússia/Polônia) 21h20 – “O estranho em mim”, de Emily Atef (Alemanha)

CINEMATECA - SALA PETROBRAS
14h – “The bluetooth virgin”, de Russell Brown (EUA)
15h40 – “Programa de curtas 7”
17h40 – “Programa de curtas 8”
19h50 – “Manda o diabo para o inferno”, de Gini Reticker (EUA)
21h20 – “Formidável”, de Dominique Standaert (Bélgica)

CINE BOMBRIL 1
14h – “O amigo”, de Micha Lewinsky (Suíça)
15h50 – “Sidney Poitier: Um estranho em Hollywood”, de Catherine Arnaud (França)
17h20 – “O'Horten”, de Bent Hamer (Noruega/Alemanha/França)
19h10 – “Sneakers – Entrando de sola na cultura urbana”, de Edson Soares (Brasil) + Curtas 21h20 – “Meu Winnipeg”, de Guy Maddin (Canadá) + Curta: “Pornô verde”, de Jody Shapiro, Isabella Rossellini

CINESESC
14h – “Three monkeys”, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)
16h10 – “Sob controle”, de Jennifer Lynch (EUA/Alemanha)
18h10 – “Verônica”, de Maurício Farias (Brasil)
20h – “Cry me a river”, comerciais de Bergman e making of de “Palermo shooting”
21h30 – “Cinzas do passado”, de Wong Kar Wai (Hong Kong)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Queridíssimo e belo mês de agosto


Fiz algo quase impensável para o público sedento de ver o maior número possível de filmes nesta Mostra: abri mão de assistir a um filme, perdendo o ingresso, para pensar mais detidamente sobre uma preciosidade vista hoje e prolongar o deleitamento. Ainda estou maravilhado com o "Aquele querido mês de agosto", de Miguel Gomes.

Metalinguagem não é nenhuma novidade no cinema. Mas com a maestria com que é realizada neste filme português, imagino que seja raridade.


O filme pode ser dividido em três partes distintas, que se revezam no decorrer das duas horas e meia de projeção: 1) Há um falso 'making off' que antecede a filmagem, onde se discute o argumento do filme a ser realizado, a busca por atores não profissionais, filmam-se depoimentos; 2) há um documentário, com a filmagem dos referidos depoimentos, com as histórias locais, "os causos"; 3) e, finalmente, o tal filme realizado.


Nas duas primeiras partes, que se intercalam, toda a equipe de filmagem, do diretor ao técnico de som, vira personagem da ação, inserindo-se assim no cotidiano do interior de Portugal. Aqui reside grande parte do bom humor do filme. Entre os depoimentos, vemos a busca dos atores não profissionais que integrarão o elenco do filme a ser realizado, entre eles a impressionante (e linda!) Sonia Bandeira e Fabio de Oliveira.


Trata-se de um filme extremamente musical, com ótimas imagens deliciosamente produzidas no interior de Portugal, o Portugal rural, das festas tradicionais, dos "bailaricos", das diversões populares como o "karaoke" e os bares, das procissões religiosas e de seus milagres, dos causos, das deliciosas músicas populares.


O filme parece nos dizer que a música está em todo os momentos (como depois reafirma o técnico de som do filme, em uma das passagens em que é também personagem), mesmo nos momentos mais triviais, como o simples passeio de um caminhão de bombeiros.


A música é, como se percebe, personagem importantíssimo no filme. Trilha muito bem escolhida e integrada com o enredo, tanto da parte documental quanto da parte ficcional, que retrata uma família de músicos em turnê pelas festas populares do interior de Portugal e o amor entre a vocalista e seu primo. Como diz a sinopse oficial da Mostra, "amor e música, portanto".
Ao final, já com os créditos subindo a tela, a cereja do bolo (mais uma!): "Tudo passa", de Nelson Ned, interpretada em uma máquina de karaoke!!
Já é um de meus favoritos deste ano, e já está programada a sessão extra nesta sexta-feira, dia 31, às 18horas, no Cine Bombril.
Para quem não viu, ótima oportunidade!
PS: para matar um pouco da curiosidade, acesse o youtube.

NINHO VAZIO


Em "Ninho Vazio", Daniel Burman prossegue retratando a família e suas arestas.

Ao contrário do enfoque dado em "Esperando o Messias" (2000), em "O Abraço Partido" (2004. Este eu não vi!) e em "As Leis de Família" (2006), o ponto de vista deixa de ser o dos filhos. Aqui, quem conduz a história é o pai de família (Oscar Martinez), dramaturgo de sucesso que, com a saída dos filhos de casa, se depara com rachaduras na relação com sua esposa (Cecilia Roth) e com o esgotamento do casamento. Ele se apaixona por uma jovem e bela dentista (Eugenia Capizzano) e ela tem um flerte com um antigo conhecido (Jean Pierre Nohor, atualmente "em cartaz" em uma novela brasileira).

A questão judaica também tem sua representação, a exemplo das películas anteriores: a filha do casal se casa com um judeu e vai embora para Israel.

Mas a grande novidade para um filme de Burman é a liberdade que o diretor se permitiu, com algumas licenças poéticas que a princípio podem soar estranhas (como as cenas de musicais vividas pelo protagonista - que odeia musicais - e a presença constante, quase paranormal, do médico neurologista que o aconselha). Ao final, porém, tais estranhezas se encaixam perfeitamente ao desfecho da história. Mais não digo para não estragar as reviravoltas trabalhadas no roteiro.

Bom filme, valorizado ainda mais com a excelente trilha sonora de Jorge Drexler.

Deve entrar em cartaz em janeiro, mas ainda sem data certa.

TERRA VERMELHA

O filme "TERRA VERMELHA", de Marco Bechis, foi o escolhido por Leon Cakoff para abrir a Mostra deste ano.
O filme até traz um certo frescor, uma novidade muito bem vinda a filmagens deste tipo. Ao retratar uma tribo indígena já envolta com a civilização no Pantanal sul-matogrossense, o diretor foge das obviedades. Internamente, os próprios indígenas já se confrontam com o choque de cultura. O suicídio de duas adolescentes da tribo é o estopim para que o líder indígena resolva deixar a reserva demarcada e ir atrás do que entende ser a sua terra original. Início dos conflitos com os brancos. Eis o ponto forte do filme, que, apesar de escorregar no maniqueísmo quanto à civilização branca, ainda assim não a condena totalmente (o homem em branco em questão é herdeiro das terras, "de sua família por décadas", e "trabalha para mantê-la produtiva", mas ao mesmo tempo imepede que os indígenas, em verdadeira penúria, mantenham a subsistência retirando o que precisam para tanto da floresta).
Perde-se a mão em um certo momento, e o filme "corre" em sua parte final, como que querendo resolver logo a questão. No geral, filme apenas interessante, com boas interpretações no núcleo indígena, o único de fato compensador de ser visto.
Nesta quarta, dia 29, haverá exibição no Cine Bombril 1, seguido de debate com o diretor e com os atores. Para quem se interessar no tema do filme (como discussão o filme é infinitamente melhor do que como "cinema"), boa chance para se discutir.
Estréia prevista no circuito comercial dia 07 de novembro.

DOCUMENTÁRIO ENCANTADO


Muito bom, de fato encantador, o filme "PALAVRA ENCANTADA", de Helena Solberg, sobre a relação entre poesia e música.

Entre os depoentes, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia (declamando Fernando Pessoa), Arnaldo Antunes, Zé Celso, Tom Zé, Chico Buarque ("Não tenho pretensão de ser chamado de poeta. Não sou poeta"), entre outros. Evidente que, pelo tema, não poderiam estar ausentes Luiz Tatit e José Miguel Wisnick, ambos mestres-cantores da Faculdade de Letras da USP. Luiz Tatit, livre docente com vários trabalhos publicados sobre o tema, dá verdadeira aula, muito interessante por sinal!

Quem abre o documentário é Adriana Calcanhoto, declamando uma canção medieval. Chico relembra a história da trilha para a peça "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Mello Neto, que, por sinal, odiava música. E o filme prossegue. Os pontos fortes são os debates sobre se letra de música pode ou não ser considerada poesia. Outro ponto é a utilização da música popular (Rap, inclusive) como veículo para despertar interesse pela literatura. É o que fazem Lirinha e Ferréz.

Recheado de entrevistas interessantíssimas, não é surpresa que o trabalho tenha ficado excelente. Com tantos entrevistados, imagino a quantidade de material que ficou de fora do corte final. Ótima montagem. Merecido o prêmio de melhor direçao de documentário no Festival do Rio deste ano. O filme é a própria poesia com música! Trata do tema de forma deliciosamente leve, evitando com sucesso um academicismo que condenaria o assunto à chatice!

Para quem não viu, é torcer para estar na semana extra ou para estrear logo no circuito comercial!