sábado, 16 de janeiro de 2010

Exposições em 2009

Eis as melhores exposições de 2009 segundo o Balaio.
Não fui em muitas, infelizmente.
De pouco mais de dez vistas (incluindo o acervo permanente do Masp; sempre vale a visita), elegi as 4 melhores:
1) VERTIGEM, da dupla OSGEMEOS (FAAP)
2009 foi o ano da dupla de grafiteiros Osgemeos. Além de assinarem o cartaz e a vinheta da 33ª Mostra de SP e de levarem um boneco gigante ao Vale do Anhangabaú, tiveram impressionante exposição na FAAP. Se você perdeu, pode lamentar!
2) GAINSBOURG - ARTISTA, CANTOR, POETA, ETC., (SESC Paulista).
Por conta do Ano da França no Brasil o SESC montou uma exposição em homenagem a Serge Gainsbourg, o "Rei da Canção Erótica". Os totens multimídia da exposição, didáticos e elucidadores, auxiliou na descoberta ou aprofundamento na obra do francês. Bela exposição, que culminou com um show em sua homenagem, com sua esposa, a inglesa Jane Birkin, acompanhada da Orquestra Imperial e de Caetano Veloso.















3) HENRI CARTIER-BRESSON - FOTÓGRAFO (SESC Pinheiros).
Exposição que valorizava o que interessa: as fotografias desse gênio da imagem, que influenciou tantos outros fotógrafos profissionais e amadores. Belíssima coletânea de imagens, que podem ser apreciadas no livro de mesmo nome editado no Brasil pela CosacNaify em parceria com o SescSP.
4) AMOR E SOLIDARIEDADE. ABELARDO DA HORA, 60 ANOS DE ARTE (no vão livre do Masp).
Eis uma surpresa e tanto no final do ano.
Confesso que nunca tinha ouvido falar em Abelardo da Hora. Mas fiquei fã imediatamente de sua obra. Nela há forte presença de retirantes nordestinos (o escultor é pernambucano) e nus femininos feitas de concreto polido e bronze.
Vale a pena a visita, gratuita, ao vão livre do Masp para ver a exposição, que inclui ainda algumas gravuras sobre as festas populares brasileiras. E essa dá tempo de ver ainda: vai até o dia 14.02!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Dr. do Baião


Finalmente, depois de tanto tempo e exibições apenas em festivais (no do Rio em 2008 e no Festival de Cinema Latino em julho do ano passado), chega finalmente ao circuito comercial o belíssimo documentário sobre Humberto Teixeira, parceiro de Luiz Gonzaga em vários clássicos do forró (uma das "famílias reais" da música brasileira, conforme Gilberto Gil diz no documentário).
Já expus em julho minha impressões sobre o documentário "O Homem que Engarrafava Nuvens". Acesse aqui para ler o texto.

Musas do Balaio # 6 - Alexia Portal

ALEXIA PORTAL, a gracinha Rosine de "Conto de Outono" (1998), de Eric Rohmer.
PS: a moça, além de atriz, é jogadora profissional de pôquer (o tradicional, infelizmente!)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Musas do Balaio # 5 - PENÉLOPE CRUZ




PENÉLOPE CRUZ em "Abraços Partidos", de Pedro Almodóvar:


A musa máxima do Balaio em 2009!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ainda Eric Rohmer - "Conto de Outono"


Comentei na postagem sobre a morte de Eric Rohmer que não havia visto muitos filmes dele. Pois hoje supri parcialmente esta falta.

Como comentei por lá também, tá rolando na cidade duas boas mostras sobre o cineasta. A que fui conferir foi a do HSBC. O filme da semana é o "Conto de Outono". E que filme, meus senhores, que filme!

Se Rohmer pode parecer hermético a muitos (a crítica que mais se faz a seu trabalho), penso que isso se deve muito mais a um costume a que o "público" em geral foi submetido nas últimas décadas, no sentido de se ter filmes ou com ação (latu sensu, sempre tem que "acontecer" algo), com música pra incrementar, sem muita coisa "difícil" para se pensar depois do filme terminar, etecétera. Isso nem é teoria minha, muito se diz a respeito por aí.

A impressão que ficou para mim após a sessão só confirma a tese. Não achei nada de "difícil" no filme (nosso Bressane, para ficarmos em um exemplo, é mais "inacessível", e que fique claro que isto, para mim, não é um defeito).

Há muitos diálogos? Ótimo! E qual o problema nisso?! E são ótimos diálogos, diga-se de passagem e perdoem a repetição da palavra.

Se há uma "racionalização" de sentimentos (" 'desromantiza' até o amor" foi comentário que li após sua morte) deve-se pensar na dificuldade de se fazer isso com maestria. Talvez interessados em psicologia gostem ainda mais de Rohmer nesse sentido, já que tudo é discutido nos diálogos. E, repito, muito bem feito, muito bem construído o roteiro, que de "chato" não tem nada.Ao contrário, em "Conto de Outono" ele resulta, no fim das contas, em um delicioso filme, leve e bem humorado. Passadas as primeiras tomadas, os tais "diálogos excessivos" nem são mais tão reparados, tal o envolvimento a que chega o espectador. Vale anotar que o filme merecidamente ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza em 98.

A cena final, em que uma bandinha local toca em uma festa de casamento é um deleite a parte. Não sei se por conta dela, ou se o público do Cineclube HSBC é diferenciado, mas o fato é que mais de 90% dos presentes (e nem eram tão poucos!) só se levantaram quando o projetor foi desligado, após os créditos finais.

O negócio é mergulhar mesmo no restante da programação e descobrir outras preciosidades.

Teatro em 2009

Iniciando as tais listas de 2009.
Não vi muitas peças no ano que passou. Na verdade, vou bem menos ao teatro do que gostaria. Até mesmo por conta disso, as poucas que vi (nove) foram selecionadas a dedo, e acabou que não posso reclamar de ter visto alguma bomba!

Para listá-las por aqui, dividi entre "Novas" e "Reestreias" (montagens de outros anos que novamente entraram em cartaz em 2009).

Dentre as NOVAS, a melhor foi "Viver Sem Tempos Mortos", direção de Felipe Hirsch, com Fernanda Montenegro (monólogo sobre Simone de Beauvoir). Excelente!Mas também merecem menção a montagem "Só", com o excelente João Miguel, a superprodução portuguesa "Turismo Infinito", e "A Farsa da Boa Preguiça", texto de Ariano Suassuna com produção impecável, todas com a "garantia SESC" de qualidade.
Nas REESTREIAS, revi "Aldeotas", com Gero Camilo, e "Avenida Dropsie", esta da retrospectiva da Sutil Cia. de Teatro. Maravilhosas. Também da Sutil, a lindíssima "Não Sobre o Amor" e a curiosa "Thom pain/Lady Grey". Divertidíssima e inteligente, "A Noite dos Palhaços Mudos" fechou as "peças do Balaio" em grande estilo!
Todas valem o ingresso, caso pintem novamente nos palcos de Sampa. É anotar pra conferir, se possível.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eric Rohmer


Não há como um cinéfilo não lamentar quando o ano começa assim, com a perda de um grande nome do cinema. Mesmo quem não aprecia o trabalho de Eric Rohmer deve reconhecer a importância do ex-crítico da Cahiers du Cinema.

Eu mesmo, não pensem o contrário, não conheço tanto assim seu trabalho. Mas é impossível não reconhecer sua importância conhecendo um mínimo da história do cinema. Não convém aqui ficar, como se diz, chovendo no molhado. Muito já foi dito por esses dias a respeito de sua morte. Um rápida pesquisa no Google e se chegará a um bom número de reportagens e comentários (recomendo a leitura do Bar 1211 e da Ilustrada no Cinema). Também há os que o classifiquem, de forma bastante simplista, apenas como "cineasta chato" (já vi comentários desse calibre por aí). Isso talvez se deva ao fato de Rohmer visar um "envolvimento intelectual" do espectador com seus filmes, e não um "envolvimento emocional".

Mas o que importa dizer é que, independente de gosto, o fato é que o nome de Eric Rohmer está inserido entre os grandes gênios do cinema. Coincidentemente, sua morte ocorre quando em cartaz duas boas mostras com alguns de seus filmess: no Cineclube do HSBC e no MUBE. Excelentes oportunidades pra conhecer ou se aprofundar na obra do cineasta.

Ano Novo, ânimo novo

Depois de uma longa ausência (e de uma preguiça monstruosa após algumas boas viagens) eis que me proponho a novamente meter meus pitacos no que vejo por aí.
E não é que a ausência prolongada troxe-me bons frutos?
Refiro-me ao fato de ser cobrado justemente por praticamente "abandonar" este espaço. E como é bom receber cobranças de quem nem conheço pessoalmente e cujo contato deu-se apenas por conta desses textos esparsos. E olha que nem são tantos leitores fixos que tenho por aqui.
Por outro lado, a responsabilidade só aumenta.
Um dos e-mails que recebi pleiteava que eu fizesse minha lista dos "melhores de 2009".
Nem sou muito fã de elaborar essas listas (sempre muito cansativas e, quase sempre, causa de injustiças).
Mas o que eu não faço pra agradar meus amigos?
De atacado, pelos dias que se seguirão, minhas listas dos melhores e piores do ano.
E cumprirei a promessa que fiz a um amigo que, confesso, já tá torrando minha paciência com a mesma cobrança de "listas", mas referente à já antiga 33ª Mostra de Cinema de SP! Ok, a lista terá lá sua utilidade.
Recado dado, mãos à obra e excelente 2010 a todos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Clipes do Balaio # 26 - 1/2 Dúzia de 3 ou 4 e sua Geyse

Manter este espaço, ainda que com cada vez mais raras inserções (não é fácil conciliar com o trabalho em área profissional sem nenhuma ligação com o universo da internet), já me possibilitou em mais de uma ocasião ter contato, inédito ou maior, com algo rapidamente adotado como objeto de predileção.
Foi assim com o Caipirinha Appreciation Society (cujo link encontra-se na barra lateral direita deste blog e merecerá uma postagem no futuro). E foi assim também com o inteligente som do "1/2 Dúzia de 3 ou 4" (muito bom o nome, diga-se de passagem).
Tomei contato com o trabalho desta trupe por ocasião do encerramento das atividades do saudoso Villagio Café, quando, ao escrever sobre a notícia, recebi a visita do 1/2 Dúzia.
O site da banda é muito bem feito e bastante ilustrativo do som que fazem, além da fina ironia e do inteligentíssimo humor. Se rasgo a seda é porque de fato fiquei fã dos caras.
É clara a influência da chamada Vanguarda Paulistana (há um "quê" de Itamar Assumpção, de Arrigo Barnabé e, é claro, de Grupo Rumo, de Premeditando o Breque e até de Joelho de Porco e Zé Rodrix) e da Tropicália e Tom Zé (dá-lhe Tom!), além de beber na fonte de Chico Buarque a André Abujamra e Maurício Pereira, entre tantos e tantos outros (todos os citados mais que cultuados por mim). É o que bastou para me fisgar.
Mas se já não bastasse, o "1/2 Dúzia de 3 ou 4" , mostra-se um grupo antenado.
Quer um exemplo?
Então antes de se aventurar no belo site da banda e de mergulhar no Myspace dos sujeitos, dê uma olhada no vídeo abaixo!
Apropriando-se do "Caso Geysi" fizeram uma letra pra lá de inteligente, com citação de "Geni e o Zepelin", focando a transformação da fulana de vítima em celebridade. O jogo de palavras no melhor estilo Luiz Tatit é sensacional ("Geysi em grená/Pra Geysi engrenar"). O vídeo então nem se fale! Para se ver várias vezes até conseguir caçar todos os detalhes. Desde Tom Zé de "pinguim de geladeira", até a figuraçao de ex-BBBs ao lado da aparecida do momento, passando pela escalada pelos logos das emissoras de TV.
Muito bom!
Confira:



PS: tem show do "1/2 Dúzia de 3 ou 4" na Praça Roosevelt, no próximo sábado, dia 19!

sábado, 7 de novembro de 2009

Anselmo

Acabo de ler a respeito da morte de Anselmo Duarte.
Não precisa ser profundo conhecedor da obra e vida dele para ficar triste pelo seu falecimento.
Basta saber, para ficarmos em um exemplo, que como diretor, seu filme "O Pagador de Promessas" levou a Palma de Ouro em Cannes em 1962, desbancando Luiz Buñuel e Michelangelo Antonioni. Um feito e tanto!
É o que basta para que se fique triste pela sua morte.